Falta conforto nas palavras, falta carinho nos olhares, calor nos momentos, falta afeto. Se fosse listar tudo o que tenho sentido saudade, aposto que isso ficaria maior que uma lista de mercado, porém, é só sobre isso que sei falar; sobre a falta. Não queria que isso se tornasse sobre mim, queria que fosse algo livre, leve… não linear. Mas eu sou tão miserável que já usei o pronome eu. Um dia não é um dia sem reclamar da ausência, parece que o faltar algo já se tornou tudo o que me faltava. No inicio a gente vai levando com a barriga, dai a barriga já não é mais forte o suficiente e então empurramos com as mãos e vai passando o tempo e a gente se esforça pra levar as coisas com a cabeça até que já perdemos o jogo das pernas e simplesmente abrimos mão. Existem coisas na vida que temos que apenas deixar ir e isso não significa fraqueza, significa que certas coisas não nasceram para serem domesticadas mas sim para serem livres. Por mais que essa ausência incomode no inicio com o tempo vamos aprendendo a lidar, isso não significa deixar de sentir, mas sim compreender que não somos dependentes daquilo. Conviver com a solidão de imediato pode ser uma luta diária e cansativa, entretanto, são nesses momentos de carência que conseguimos alimentar a nossa alma e nutrir o cérebro. Os pensamentos se organizam, os sonhos tomam forma, a solidão vai se preenchendo por nós mesmo. Então aprendemos que a fragilidade é algo nobre e de extrema importância, que estar sensível não é um problema, aprendemos a ter compaixão por nós mesmos e não nos forçamos a carregar um fardo que seja maior que o peso dos corpos. Por mais que exista uma lista de reclamação diária sobre a falta, ela é necessária, pois são nesses momentos de ausência e isolamento que a gente aprende sobre o mundo, damos valor aos momentos, aprendemos a nos doar mais em certas situações, a valorizar os sentimentos e aprendemos a simplesmente caminhar sem nos preocuparmos com o que vier por faltar nas próximas esquinas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.