
Ilha á deriva
Éramos eu e ela. Na verdade mal sabia que ela ainda estava por ali, mas foi quando aquela asquerosa barata tentou invadir nossa casa que ela entrou em cena, felina que é, agarrou-lhe a cabeça e em um movimento rápido destroçou-lhe o corpo frágil de inseto, como uma leoa com fome.
Na ilha tudo parecia maior do que realmente era, o alecrim da horta era como um grande pinheiro, desses que compramos quando é véspera de natal, os almoços fartos de peixes e regados a vinho barato pareciam festa de comensais franceses, curtidos ao sol e mordomias, os pássaros da ilha não apenas cantavam, mas sim recitavam poemas em minha janela, de Rimbaud a Thoreau.
Não ligávamos muito para o amanha, as vezes nem tanto para o hoje.