E por que não confiar nas pessoas?

O risco mortal de confiar em alguém

Todos corremos riscos de alguém nos enganar de alguma forma. 
Todos os dias e com todo mundo. 
Se encararmos o mundo com um raciocínio frio e extremamente lógico, ninguém confiaria em alguém para nada. 
O grande problema é que há um consenso entre um grande número de pessoas que vivem repetindo, como um mantra, que não devemos confiar em ninguém. Será que não deveríamos mesmo?


Desde que eu criei o Tem Local com dois grandes amigos¹, recebo quase que diariamente histórias de agressões, assassinatos e outras atrocidades de pessoas que eu nunca ouvi falar.

Pessoas sozinhas no mundo, que são perseguidas, agredidas, mortas, estupradas e possuem outras histórias macabras.

Certa vez, ouvi de um militante de direitos humanos, que somente poderíamos trabalhar com relatos de violências que já tenham registrado um B.O., senão, não dava pra confiar na vítima.

Será que realmente não podemos confiar em ninguém?

Uma coisa é bastante clara: há os mais diversos tipos de pessoas no mundo, de todos os gostos e tipos de caráter². Mas será que todas as pessoas do mundo terão que pagar o preço por esse grupo de mentirosos?

Eu não consigo concordar com toda essa desconfiança, e claro, considero essa uma resposta extramente de cunho pessoal. Cada um responderá como assim sua cabeça indicar. Podem ter suas próprias opiniões a vontade.

Porém me questiono: por que não confiar nas pessoas? Para mim é muito simples, não estou falando de extremismo: apenas um voto de confiança e que ela se prove inocente até se provar o contrário. Sem expectativas, sem ressentimentos ou mágoas. Dando sempre um passo de cada vez.


O mais irônico é quando a pessoa se prova culpada. Claro que quem é a culpa não é o mentiroso e sim a vítima. Sem tardar aparecem os julgamentos e as acusações:

“Como você pode ser tão ingênuo?”
“Mas tava na cara que essa pessoa estava te enganando. A história era muito furada.”
“Tá vendo? Por isso não confio em ninguém.”
“Como você pode acompanhar isso tudo e não saber? Você também não está mentindo?”

Como se confiar em alguém fosse uma comprovação de culpa. E o autor de toda a peça? Ahh meu amigo, dele todos desconfiavam, ou então, possuíam aquela famosa intuição que já tinha avisado a todo mundo a tempos! Menos você, seu otário! Se fode ai!


Não há uma resposta fácil para o tema. Entretanto, precisamos aprender a confiar mais nas pessoas, sem exageros
Eu consigo entender que em muitas situações — nota-se que não utilizei o termo “em todas situações”, por favor, não confundir³ — não há por que alguém mentir algo tão bem construído. E não será por causa disso que moverei mundos pela pessoa, porém, dependendo da situação, podemos ajudar de muitas formas. Mesmo que não seja do jeito que a pessoa que exija tal confiança solicite.

Afinal, se a pessoa te procurou, com certeza ela precisa de você de alguma forma. E mesmo que seja para te enganar, isso só demonstra que precisamos estarmos fortes para conseguirmos identificarmos as provas antes do “crime”.

Como não há respostas absolutas nessa vida, vou terminar esse texto um famoso clichê: sem uma afirmação, mas com várias perguntas retóricas:

Precisamos esperar uma sociedade formada de pessoas de caráter sincero e justo para que possamos confiar um nos outros? 
Por que esperar por uma utopia tão grande?

Você confia em mim?


[BREAK TIME] 
Notas do Autor:

¹ Inclusive o Tem Local é uma história de confiança mútua entre três pessoas que não se conheciam até a ideia surgir, no primeiro encontro.
² Taí a grande dúvida na hora de escrever: o plural de caráter é caracteres, como parecia um que estava escrevendo sobre um conjunto de dígitos eu resolvi escrever de outra forma. Sim e googlei pra confirmar lol
³ Tá vendo como essa história de confiança é foda? Já não confiei em vocês e tive que me explicar rsrsrs