O tempo realmente voa
A anos atrás conversávamos sobre o futuro, num apê pequeno, de uma sala, quarto, cozinha e banheiro,
ficávamos espalhados pelo chão entre a sala e a cozinha,
bebiamos, fumavamos baseados, riamos da nossa junventude que passava diante dos olhos.
A Hellen e o Vini eram os mais velhos, depois eu, Joy e Loas,
compartilhavámos nossas experiências e tudo era mágico e motivo de riso,falávamos sobre filhos, sobre nos reunirmos num sítio já com família formada
e as crianças correriam pela grama e ficariámos por horas falando sobre o que vivemos e sobre os anseios da vida adulta,
já fazem quatro anos desde as primeiras conversas a Hellen tem 26, acho que o Vini tbm, tenho 24, Joy 23 e Loas 22.
o tempo realmente voa, novos amigos entram pra turma, nos afastamos, mudamos de cidade e por fim voltamos a ficamos juntos novamente, como num filme meloso.
Agora agregamos a Íris, a Biannca, o Ruan, a Ju e o João , domingo passado fizemos um churrasco, reunimos todo mundo, a única coisa que se passava em minha cabeça era como o tempo tinha nos mudado, como os acasos e descuidos mudaram nossos caminhos.
A Biannca engravidou do Ruan e hoje eles tem uma filha linda de um ano e moram juntos, a Íris engravidou quase no mesmo tempo e hoje temos a Aurora com um ano, a Hellen está grávida de oito meses, eu e Joy continuamos solteiros, a Ju namora um grandão estranho e ah! A Íris namora o Jacaré a quatro meses.
O tempo realmente voa, falávamos sobre reunir os filhos a quatro anos atrás e hoje sem preparo algum, no susto da vida reunimos nossas crianças e o Bento presencia tudo de dentro da barriga da Hellen, todos nós riámos e contavámos das histórias passadas, em meio a segredos das relações paralelas entre o grupo, sempre havia uma certa delicadeza ao tocar em algum tópico passado pra não explanar o que não precisava ser dito.
E até o João colou no churrasco e cantou os pagode antigo e comeu todo pão de alho, e passamos o dia inteiro e partes da noite bebendo, contando histórias, rindo e relembrando.
A vida é mesmo um sopro, quem diria que quatro anos depois já teríamos duas e daqui a pouco três crianças na nossa roda e que daqui alguns anos elas estarão correndo pela casa e nós correndo atrás e secando lágrimas pois a Aurora caiu e ralou o joelho.
Mal sabiámos que o futuro que desenhavamos bêbados naquelas madrugas saudosas estariam tão próximo da gente, só espero que o meu filho seja o último.
