Dezessete. Maio.

Tem certas coisas que não mudam nunca. O que por exemplo? A geração “Sexo, drogas e rock and roll” virou “ Viagra, insulina e aparelho de surdez”. O “paz e amor” virou “pais e divórcio”. O Caetano ficou Velhoso. O Sargento Pimenta virou Sargento Hemorróida. Pro meu paciente, Beatles já é coisa de Yesterday. O Newspaper virou Oldspaper. “Via”, “Isto Era” e “‘Fora de Época” serão as revistas semanais do futuro. O “The book” agora “is on the tablet”. Não tem jeito: quem é vivo sempre desaparece. (Tá bom, entra com uma piadinha sobre o Niemeyer).

Meus ídolos de infância na TV estão deixando a Globo e indo pro SKY. O esquisito é reparar que os fãs envelhecem com seus ídolos. As fãs do Chico Buarque, por exemplo, não ficam mais de Chico. Tu acha mesmo que “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”? Ok, pergunta isso pro Washington Olivetto daqui uns 15 anos.

A verdade é que a gente passa a vida inteira buscando uma história pra contar, aí vem a esclerose e estraga tudo. Esclerose começa assim: tá vendo aquela gatinha de 20 anos? Esquece. E aquela moreninha, lembra? Esquece! Quando o mais próximo de um sexo oral passa a ser colocar uma Novalgina na língua. E principalmente, quando ninguém mais acredita que aquelas “suas amigas do caralivro” um dia já foram bonitas. Cruel! Bons tempos que a Garota de Ipanema era um avião e o Tom Jobim não era um aeroporto. Bons tempos que a gente tinha vaidade e não “vai idade”. Saudades do tempo que smartphone era o sapato-telefone do Maxwell Smart, o agente 86.

É, meu velho, o tempo passa, o tempo voa e só a poupança do ex-dono do Bamerindus continua numa boa. O mais cruel disso tudo é constatar que, quando começamos a falar “bons tempos aqueles” é que estamos entrando nos maus.

É triste! Envelhecer é ficar saudosomasoquista. Nāo é que o mundo perde a graça, mas as piadas que começam a ficar repetidas. A velhice é uma merda. Uma merda tão grande que vem com fralda. Aliás, o Choque de geraçōes mais desagradável de todos é quando o vovô e o netinho passam a brigar pela mesma fralda. Por isso, o melhor é aproveitar a vida enquanto a gente pode e fode. Porque do “bom de cama” pro “ruim de coma” é um pulo. Não vale deixar os sonhos para a velhice. A Diabetes pode proibir que a gente os coma.

Parabéns Josh Homme, Trent Reznor, Paul D’ ianno, e dona mãe também pelo dia de hoje.

Soundtrack recomendada para leitura: https://www.youtube.com/watch?v=8X4N0qOIxrc

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