Ensaio sobre a grafia de nomes próprios
Esta é a história de um homem estranho com um problema estranho. Cristófaro era um solitário, não conseguia conviver com as outras pessoas, sua vida era um inferno e nada dava certo pra ele. Tudo porque ocorria com ele um fenômeno nunca detectado em outra pessoa em toda a história da humanidade: Peritônio não conseguia ficar com um nome. A cada vez que alguém se dirigia a Leocádio, ele tinha um nome diferente. Robervério sofria demais com isso. Uma hora era Gracilândio e, minutos depois, era Arnovídio. Não conseguia ter documentos, não conseguia se inscrever em nada. O nome não ficava, não colava. Crise de identidade profunda.
Certa vez, Arlintolfo procurou um médico. Mas não conseguiu a consulta. Menescôncio marcou a consulta, mas quem apareceu foi Laredésio. Procurou, então, um pai de santo que não exigia nomes na hora de marcar consulta. Chegando lá, Estrovaldo explicou sua situação e o sujeito ficou todo confuso. Nem o preto velho, nem a pomba-gira, nem ninguém da turma da pesada havia jamais visto uma coisa destas. Ficaram até com medo. Eles não tinham resposta. Sugeriram, porém, a Enemercádio que procurasse um famoso curandeiro que lidava apenas com casos raros e idiotas como este. Magrilôncio foi até ele. O sujeito era muito esquisito. Pudera. Misturou líquidos, acendeu incensos, proclamou cânticos incompreensíveis, flatulou uma barbaridade. Garcilênio ficou parado, esperando que o maluco desse algum prognóstico. Ao final da sessão, o curandeiro chegou perto de Pritubério, olhou nos seus olhos e disse em tom premonitório:
– Fazer o senhor parar de mudar de nome o tempo todo, eu não consigo. Mas se o doutor quiser posso fazer um esforço para, pelo menos, o senhor usar uns nomes mais bonitinhos. Tá afins?
