Não há limites para o crescimento humano

Uma das piores sensações que podem acometer um ser humano é a de aprisionamento, ou de estagnação — a ideia errônea de que atingimos nossos limites existenciais e de que não há mais para onde ir. Esse é um sentimento familiar a milhares de pessoas, presas a situações ou a padrões de comportamento, seja um emprego, relacionamento ou condição social. E esse padrão nem precisa ser necessariamente ruim. Às vezes, mesmo em uma situação confortável, a sensação de estar preso a um lugar pode ser infernal — tirar o sono, perturbar a mente, e causar uma série de desdobramentos negativos. Descontamos nos outros a raiva e a angústia por nos sentirmos aprisionados dentro de nossas celas imaginárias.

Pois, de verdade, é isso que são — imaginárias. Fomos domesticados para acreditar que nossos potenciais são limitados, que existem tetos para o nosso desenvolvimento pessoal. Ficamos no mesmo lugar pois sequer consideramos a possibilidade de mudança, ou da existência de uma realidade maior à nossa espera. E mesmo quando esses tetos são aparentemente altos, ainda assim podem nos sufocar. Como a promessa de um funcionário se tornar o presidente da empresa em que ele trabalha, por exemplo — um dos ápices da pirâmide deste mundo materialista em que vivemos. Pode parecer uma ideia tentadora à primeira vista. Mas, no fundo, sabemos o que isso nos traria, pois a maioria dos diretores de grandes empresas é insatisfeita, e precisa ganhar bônus enormes para se manter no cargo. As pressões e as demandas são grandes demais para uma compensação tão pequena em termos de realização pessoal. Nem todas as empresas são assim, pois algumas delas conseguiram vencer suas próprias camisas de força, mas a maioria é. O dinheiro acaba se tornando uma coleira, para pessoas que construíram famílias dependentes dele. No fim das contas, até os CEOs estão aprisionados, quem diria.

O que pode, então, trazer satisfação, a vontade de sair da cama todas as manhãs? A consciência de que o potencial humano é ilimitado, de que não há limites para o nosso crescimento como seres, é certamente uma delas. A diferença é que não atrelamos esse crescimento à ideia de trabalho, de cargos em uma empresa, de fama, ou qualquer outro parâmetro tradicional, e sim ao crescimento da consciência — a consciência de quem somos, de qual a nossa verdadeira natureza, para além das barreiras mentais que construímos e atrás das quais nos mantemos boa parte da vida. A consciência de onde podemos chegar como seres.

A mente é uma excelente ferramenta de investigação e de trabalho. Mas ela pode ser também limitadora — um muro que nos impede de ver o que há além dela. E pare um momento para avaliar, é natural que exista muito além da mente racional limitada. O universo é infinito, a própria natureza que nos cerca neste momento é infinitamente complexa, e nós fazemos parte de todo esse conjunto. Logo, é natural que existam muitos segredos que ainda não acessamos — principalmente porque sequer pensamos neles. Ficamos presos a nossos currais mentais, incapazes sequer de questionar esses mistérios, pois eles podem ameaçar a sensação de segurança que temos ao repetir as mesmas rotinas às quais estamos acostumados. Nos mantemos na trilha em que fomos colocados, e sequer temos a coragem para olhar o que está acontecendo fora dela.

Essa é uma das grandes fontes do tédio, do desespero e da depressão que nos acometem. Acreditamos de fato que somos limitados, que a realidade é limitada ao que assistimos nos noticiários e nas novelas — que infelizmente funcionam como mecanismos de controle e supressão da consciência, talvez não por acaso. Mas, se nos arriscarmos a explorar o que existe além do conhecido, além do território familiar de nossas mentes, histórias e feeds do Facebook, talvez possamos encontrar novas águas de excitação. O mundo é cheio de mistérios, o universo também é. Nossa própria condição humana é repleta de segredos, nossa psique, nosso corpo. Vivemos em uma sociedade que parece caminhar para a completa normatização — em que tudo roda dentro de um roteiro cinzento pré-programado. Proporcionalmente, aumentarão nossas angústias, pois aumenta a sensação de aprisionamento. Mas isso pode mudar. Basta abrirmos os portais da muralha da mente, e aceitar a possibilidade do infinito desconhecido.

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