Ninguém é o que aparenta ser

Ninguém — exceto os santos e criminosos declarados– é aquilo o que aparenta ser. Nem presidentes nem vizinhos. Esta verdade pode revelar níveis de perturbação tão alarmantes que aterrorizariam os mais céticos, e talvez colapsaria o mundo caso todos os níveis de mentira que o envolvem caíssem de uma vez. Irmãos se levantariam contra irmãos. Mães se levantariam contra filhas. Não haveria melhores amigos.

Todo ódio que borbulha sob essa grosseira camada da máscara explodiria de uma vez e espalharia sua feiúra no seio da sociedade. A falsidade abriu trilha para que chegássemos onde chegamos. Mas não estamos em bom estado. Nossas frágeis mentes pagaram o preço. O ódio puro se manifesta em múltiplas esferas da civilização. Nos assassinatos em massa do Estado Islâmico, nos linchamentos e estupros coletivos que testemunhamos através de filtros ainda coniventes com a mentira. Onde estamos de verdade? Em que ponto do tabuleiro nos encontramos?

Atravessamos momentos de revelação, no qual os disfarces são gradualmente dissolvidos nos fortes raios de luz que o planeta recebe. Uma nova consciência emerge ao mesmo tempo em que a natureza sacode a estabilidade coletiva. Inundações no mundo todo. Ondas de calor. Um país desestabilizado e entregue ao maremoto de acontecimentos, submetido a nações mais poderosas e armadas.

Vemos o maior treinamento para desastres jamais realizado na Costa Oeste dos Estados Unidos, uma simulação de terremoto e tsunami capazes de matar até 13 mil na região sobre a Falha da Cascádia, que nos seus quase 1 mil quilômetros se estende do norte da Califórnia até a Colúmbia Britânica. Encenações macabras durante a inauguração do maior e mais profundo túnel do mundo, na Suíça. Rumores de guerra.

Cena da inauguração do túnel de São Gotardo, na Suíça

O que vem a seguir? Observaremos esses eventos de enorme magnitude e poderemos refletir sobre como nos relacionamos a eles. Qual nossa responsabilidade nisso tudo? Não é preciso muito tempo para concluir que partilhamos a culpa. Por não abrirmos os olhos para os problemas. Por causá-los diretamente, em nossas vidas diárias, em relacionamentos envenenados e nos atos de maldade, conscientes e inconscientes, cometidos às vezes contra aqueles que mais dizemos amar. Assim, empurramos a humanidade até aqui, ao longo das gerações.

Agora, estamos no alto da Montanha Russa e talvez a queda acelere um pouco nossos corações. Mas isso deve vir antes de um futuro mais alegre, próspero e amoroso. Aguardamos ansiosos.

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