Me peguei pensando… Me peguei descartando

De repente me peguei reclamando de pessoas que perdi. É foda, Outubro nunca é um dos melhores meses do ano, talvez seja o pior, mas nos últimos três anos ele tem se superado, negativamente, cada vez mais. Dessa vez Outubro resolveu levar embora pessoas da minha vida. Não, ninguém morreu; ou melhor, aparentemente morreram pra mim mas seguem vagando pelo universo cotidiano na boa.

Então, desde o dia 9 de outubro, exatamente um mês na data deste texto, o músculo que eu mais tenho exercitado no meu corpo tem sido o cérebro, só pra tentar entender o que tem acontecido com o mundo. Todos mudamos, isso é um fato; existem milhares de leis evolutivas em milhões de livros de biologia, mas o grande desafio à minha sanidade sem dúvidas é entender por quê estamos cada vez mais descartáveis e cada vez mais descartando.

Há 20 anos colecionávamos LPs e casamentos duravam 30 anos, há 10 anos comprávamos CDs e casamentos duravam 10/15 anos, há 10 dias ninguém queria saber de relacionamento sério, todos se usavam e baixávamos uma música na internet que estaremos cansados na próxima semana e substituiremos pela próxima sensação do pop. E foi exatamente assim que Outubro aconteceu, descartei e fui descartado como aquela música da Selena Gomez que você cansou de ouvir.

Não, isso não é um texto sobre um relacionamento amoroso mal sucedido, não apenas sobre isso. É um desabafo sobre relacionamentos em geral. Não deixa de ser verdade que quando nos envolvemos com alguém, o mínimo que esperamos, caso termine, é um prosseguimento amigável daquilo tudo. E aí o fim chega e você vê, em menos de 30 dias, alguém que viveu ao seu lado por meses, conhece cada traço da sua personalidade, simplesmente desaparece e se torna uma mancha borrada no seu passado. O mais desesperador é que isso é uma conduta constante, comum e, inclusive, defendida por muita gente.

Mas ok, relacionamentos amorosos são sempre complicados, a transformação do amor em absolutamente nada é só mais um indício de como a raça humana tem se tornado plástica e fria, só que o problema é geral, nós também não sabemos levar amizades por cima de problemas pequenos e banais do dia a dia. Falo nós porque no meio dessa reflexão também percebi que descartei muita gente, que fui tudo pra muitas pessoas e simplesmente sumi da vida de cada uma delas.

Mas por quê? Por que eu, que estou aqui criticando, também faço parte dessa plastificação da humanidade? Eu diria que é um instinto de sobrevivência, onde cada vez mais deixamos nossos sentimentos de convívio em sociedade de lado pois sabemos que nós não podemos magoar a nós mesmos e passamos a achar que somos nossa melhor companhia para tudo. É doloroso concluir isso, mas quem é corajoso o suficiente de botar sua sanidade e sua paz em risco só pra saber se ainda é possível nutrir qualquer sentimento pelos seres humanos? É, talvez eu ainda seja um desses poucos loucos, e convido você, que eventualmente esteja lendo esse texto, a se juntar a mim e tentar mudar um pouco esse caos em que vivemos.

Para encerrar essa enorme reflexão, eu queria deixar uma mensagem a todos que leram esse texto que foram descartados por mim e que me descartaram, eu amo e sinto falta de cada um(a) de vocês, mas não gosto disso, não quero, não posso, nem mereço sentir isso. E você, é, você mesma que está lendo isso tudo, novos começos são sempre novos começos. Segue o baile.

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