O que eu aprendi com o divórcio de William e Fátima

Assunto mais comentado do momento, né non? BR que é BR já viu trocentos memes a respeito desse divórcio e já fez trocentos memes a respeito desse divórcio. William Bonner e Fátima Bernardes estão se separando e somos nós quem estamos desolados.

Antes que alguém comece com “ai meu deus estamos apenas brincando, é isso que fazemos”, só quero usar o exemplo para atentarmos para problemas em nós mesmos. Esse lance de desacreditar no amor quando um casal queridíssimo se separa é antigo, foi o mesmo com Clarice Falcão e Gregorio Duvivier, Lady Gaga e Taylor Kinney… A gente vê um casal que achamos estar bem, num relacionamento quase tão perfeito quanto os da Barbie nos filmes, que, quando tem notícias bombásticas assim nos tablóides, ficamos escandalizados e bem chateados.

“Se Lady Gaga não consegue se manter num relacionamento, quem sou eu pra conseguir, né non?” Não.

Acredito que vamos moldando nossos modelos de relacionamento desde pequenos. Primeiro com nossos pais: se temos uma família bem estruturada, comunicativa, que preza e cativa bem estar, claro que vamos procurar por isso — sempre buscamos aquilo que é confortável para nós — muitas vezes, nossas primeiras amizades, ou as que duram mais, são com pessoas que vieram de uma criação e de uma relação familiar parecida com a nossa. Claro que todo mundo vive numa família diferente, mas é possível encontrar semelhanças que nos deixem em zona de conforto.

Depois de um tempo, quando vamos aprendendo e conhecendo sobre relacionamentos, começamos a prestar atenção em como eles funcionam. Primeiro, novamente, com nossa família… Como meus pais se relacionam? É um relacionamento saudável? É instável? É ruim? Cada exemplo gera um padrão do que queremos e do que não queremos pra nós baseados no que vemos em casa, de pertinho. A televisão, o cinema e as redes sociais também contribuem para que possamos moldar esse padrão do que queremos. Em todo lugar podemos ver exemplos de relacionamentos tanto na nossa realidade como na ficção — e é exatamente nessa última que eu observo o perigo.

Veja bem, a ficção tende a romantizar essas relações, principalmente para os filmes cujo público é infantil (não estou dizendo que isso é errado). Contos de fadas, por exemplo, apesar de toda a treta que cada história possui, temos sempre um relacionamento perfeito — bizarramente perfeito. E é normal uma criança se apegar a uma história e desejar vivê-la… quantas vezes não as vemos brincando que são princesas, piratas, super-heróis? Por que não suspirar e crescer desejando encontrar o príncipe encantado que vai tirá-la para uma valsa sob a luz do luar mesmo que não haja música?

O problema é que isso não vai acontecer. Okay, pode acontecer, mas as chances não são boas. Padrões. Precisamos de padrões. Queremos um relacionamento x porque vimos em algum lugar que x deu certo, só que esquecemos que temos mais 25 letras no alfabeto para pensar sobre. X pode parecer bom, mas pode não funcionar para você. Cada um é diferente do outro e essa frase é muito piegas, mas parece que as pessoas simplesmente esquecem disso, então a gente repete: somos diferentes. E isso significa que se A e B são diferentes, A+B=C, mas A+C=D ou B+C=E e vai assim pra sempre. Cada relacionamento é de um jeito porque as pessoas envolvidas são diferentes mas das outras, o que também significa que se os dois começarem a se relacionar com outras pessoas terão relacionamentos diferentes dos primeiros. Ninguém vive a mesma coisa repetidamente.

O outro problema é buscar numa pessoa o padrão que você moldou baseado em todos os relacionamentos que já viu. Quero as viagens de fulano, a felicidade de beltrano, o carinho dos meus pais e a durabilidade dos meus avós. Isso não é uma fucking receita de bolo. As pessoas são reais, a ficção do que você já viu é muito mais distante do que gostaríamos. As pessoas são um imenso guarda-roupa bagunçado — tem umas coisas nos cabides, umas roupas dobradas, milhares de peças emboladas e amarrotadas: você não tem que organizar nada pra ninguém, mas precisa achar o ponto de coerência e aceitar todo o resto.

Aceita um relacionamento pelo que ele é, não pelo que você espera que ele seja. A expectativa é sua e ela é problema seu, não da pessoa com quem você está. Se tá ruim, não senta e espera um milagre de que vai ficar bom, porque dificilmente vai. Para de tentar encaixar a pessoa numa forma que você quer, só porque você quer, isso não faz o menor sentido, e você é um puta escroto por forçar alguém a ser quem ele não é.

Vamos só tentar nos relacionar com a liberdade que todo mundo quer e todo mundo precisa. Para ser ele mesmo, para não ser julgado, para simplesmente ser. E se aquele casal que você tanto adora se separou, que eles sejam felizes nessa nova etapa, ninguém é obrigado a ficar com alguém para sempre.

E só pra deixar claro: amor não é só relacionamento.
O amor tá em muito mais coisas e muitas outras pessoas do que com quem você diz se relacionar. Procura direitinho que quem tá precisando entender melhor o amor é você.