Um pouco do muito que é a ansiedade

Eu nunca consigo terminar de escrever um texto sobre ansiedade. Começo a pensar demais e fico sem saber como continuar escrevendo ou como não me sentir ansiosa para escrevê-lo. Possivelmente este texto será escrito em prestações. Quero registrar isso também. (12/11/2016 13:55)

Cada vez mais eu me deparo com pessoas falando sobre ansiedade e outros problemas psicológicos. Me assustou ver a quantidade de pessoas que assumiram ter ansiedade, depressão ou baixa auto estima — ou mais de um desses problemas, ou todos, ou outros –, gente pra cacete sofrendo por alguma coisa. Fiquei assustada, mas, no fundo, não estava surpresa.

Isso não é sobre as pessoas que se diagnosticam com alguma coisa, mas nem sabem o que é, e nem que esses problemas são sofrimento(e você não quer sofrer). Dizem ter depressão quando ficam chateados porque está chovendo e não vai poder sair, ou são ansiosos porque esperam uma mensagem de whatsapp chegar.

Não é legal, não é cool. É sofrimento. Dói, machuca, te atrapalha a viver. Não é ter aquelas fotos conceituais de Tumblr ou um feed com vários followers. (11/12/2016 13:40)

Viver com ansiedade é calcular todas as coisas e pensar em tudo o que uma ação pode gerar; é premeditar tudo o que pode dar errado e se preparar para aquilo com uma dor no peito que sufoca; viver com a ideia de que tudo pode dar errado.

Medo de falar com as pessoas e achar que algo pode machucá-las; não falar com as pessoas por medo de incomodá-las; não parar de pensar que algo do que já disse fez com que ela pensasse determinada coisa sobre você. (12/11/2016 12:10)

Sofrer por antecipação. Pensar, ao mesmo tempo, em tudo o que pode acontecer num determinado evento. O que pode dar certo, o que pode dar errado, como contornar o que der errado, o que pode dar errado ao tentar contornar o que já tava ruim antes. A mente vira um turbilhão de pensamentos concomitantes que só você mesmo entende. Imagens vêm e vão e vivencia-se situações que nem existem e talvez nem chegarão a existir. É sofrer, e sofrer de verdade com este estado de não-saber, de imaginar as coisas, várias coisas, e se obrigar a saber como reagir a cada uma delas. (12/11/2016 13:41)

O que fazer se isso acontecer? E se fulano me perguntar isso? E se eu responder aquilo? E se fulano não aparecer? E se eu não for? Eu posso faltar? Será que posso dizer que aconteceu um imprevisto e não precisar ir? O que vão pensar de mim se eu faltar? Eu nunca vou nesses eventos, queria ir alguma vez, mas será que consigo? ? ? ? ? ? ? ? (12/11/2016 15:59)

É ficar chateado com coisas que só aconteceram na sua mente, porque às vezes elas parecem reais demais para se conseguir esquecer. Por fora você treme, arfa, a garganta aperta em um nó atado que te tapa a respiração, taquicardia. Por dentro, ao mesmo tempo, os pensamentos te invadem. São fantasmas. Não necessariamente de pessoas, mas casos, coisas, erros cometidos ou não. Fantasmas de pensamentos que se misturam entre realidade e imaginação — você não sabe, nunca sabe, mas estão ali e é aterrador.

Quem te vê talvez não saiba ou entenda. Talvez por você não conseguir dizer, não querer dizer, não querer ser chato com suas loucuras, com seus sofrimentos. Os amigos, mesmo os mais próximos, talvez não saibam te dizer o que você precisa ouvir. Assumir: “estou tendo uma crise de ansiedade” para alguém é um último suspiro de ajuda, um socorro. Não fuja, não se desespere se precisarem de você. Tenha empatia. Escute, abrace ou simplesmente mude de assunto, distraia. Se desconhece a doença e quer entender melhor alguém que você quer bem: estude-a. Não seja negligente. Isso dói em todo mundo. (12/11/2016 22:41)

É eu nunca saber se este texto está bom, ou certo, ou decente. Se devo ou não postá-lo, se devo mostrar a um amigo primeiro. Alguém que sofre o mesmo? Ou alguém que não entende tão bem assim? Devo apagar até o último caractere e deixar isso pra lá? Desistir de falar de ansiedade mais uma vez?

Olhar para um lugar na espera de achar algum objeto que deixei ali e não encontrar e começar a entrar em pânico com as merdas que podem acontecer por conta disso — eu perdi? onde botei? e se não encontrar? e se alguém brigar comigo? Esses segundos que antecedem o “encontrar” do objeto são tortura psicológica pura. A mente parece não cansar nunca, e está sempre pronta para te sabotar nos momentos mais inesperados (e nos esperados também!).

É desmoronar por dentro e precisar segurar em si mesmo para não cair. Ser seu próprio monstro e às vezes seu único herói. Estar sozinho e com medo, e precisar ser forte. (12/11/2016 23:09)

Mas nem sempre algum fenômeno ataca ansiedade. Às vezes ela vem sem motivo, sem aviso, só vem. Aparece e de repente você se vê obrigado a lidar com ela de qualquer maneira. Você precisa lidar: não tem outro jeito. Precisa esperar passar toda a sensação ruim, deixar os pensamentos virem e irem embora. (12/11/2016 22:57)

Mas, ei, tem tratamento. Tem profissionais especializados para cuidar disso. Você não está exagerando ou ficando louco. Se tá ruim, se te faz mal: procura um psicólogo, vai atrás de se cuidar. Vai aprendendo a lidar e cuidar de si, mas se você, lá no fundo sabe, e a gente sempre sabe, que precisa mais do que só aprender a lidar, procura ajuda que você não tá sozinho não. Tem gente que entende e sabe bem pelo quê você passa.

Mas a gente tem que viver um dia de cada vez. A gente tem que viver. Aguenta aí. (12/11/2016 23:01)