Hold onto hope if you got it.

Recentemente, eu fui diagnosticada com depressão, mas muitas pessoas que me conhecem há anos sabem que eu tenho desde os 14 ou 15 anos. Eu tô aqui hoje para falar opções de como se viver com a depressão, como aceitar que ela tá instalada na sua cabeça e que ela não vai embora, mas que você não deve se desesperar por isso.

Não, depressão não “se cura sozinha”. Dependendo do grau, você deve ou pode procurar um médico. Eu deveria ter procurado um médico no momento em que eu comecei com as automutilações, em 2013, por aí. Acontece que com o passar dos anos, a doença começou a evoluir: eu comecei a afundar e o estado em que me encontro hoje é um dos mais profundos da depressão. Eu não chego a sentir que não consigo mais levantar da cama, mas tudo graças a pouca sanidade mental que ainda me resta. Se eu descer um pouco mais, eu posso ficar nesse estado, sim.

O início da depressão é bem silencioso, mas é quando você pode e deve buscar um médico, que vai te orientar a praticar exercícios físicos, fazer yoga, ir ao cinema, viajar para uma cidade vizinha, etc. A depressão grave pode ser evitada com isso, você vai ter uma rotina de coisas prazerosas e seu cérebro vai liberar hormônios com essas sensações e experiências boas. No entanto, se o médico não for consultado, a doença começa a se espalhar pelo seu cérebro, sendo difícil reverter o estado com apenas exercícios físicos, mas tendo que contar com ajuda de medicações e terapia. É nesse momento em que você deve consultar um psicólogo ou psiquiatra.

Há quase um mês, mais ou menos, eu comecei a adotar uma forma de ver a vida, de ver o copo sempre meio cheio, de saber que existem dificuldades e facilidades na vida, bem e mal. Tem uma frase de um filme da Marvel que eu amo muito, que é “nós nunca nos livramos dos nossos demônios, nós apenas aprendemos a viver acima deles”. E é exatamente isso que é viver com depressão porque ela não tem cura, mas você tem que aprender, claro que com remédios e terapia, que você é mais que a doença.

Eu aprendi da pior maneira que tem passos a se seguir pra você viver melhor com a depressão — e que antes eu achava uma bobagem, mas quando eu olho pra trás e vejo onde eu tava e onde eu tô agora, tudo fez mais faz sentido:

1 — Conte pros seus pais, abra o jogo com eles e peça o apoio deles. Ter o apoio e o colo da família nesse momento tão difícil é o que vai te manter viva, acredite;

2 — Ponha no papel o que te deixa triste, filtre, se foque no que realmente consome a sua energia e elimine isso da sua vida de alguma forma. A gente não pode ficar pra sempre segurando numa corda, se ela machuca tanto a gente;

3 — Veja o que deixa você feliz e traga isso mais e mais para a sua vida. Se escrever deixa você bem, leve um bloquinho com você pra algum lugar que você ama ir. Se caminhar na praia deixa você bem, caminhe e reflita, sinta o mundo de uma forma positiva, ou então sente em um parque, mas faça algo que deixa você feliz;

*3 plus — Ficar deitada na cama não vale como algo que deixa você feliz porque não fazer nada só estimula a doença a comer mais o seu cérebro, e não é isso que a gente quer. A gente quer encher o nosso cerebrozinho de informações bonitinhas, unicórnios, esperança e um monte de hormônios da felicidade;

4 — Medite. Sério, medite em qualquer lugar e não se importe com as pessoas te julgando porque elas não sabem pelo que você está passando, então deixa que elas falem mesmo. Pense que durante muito tempo da sua vida, o maior mal que te afetou foi a sua cabeça, então não ligue para o que os outros pensam porque isso é fichinha perto do que você passa todos os dias. Se importe consigo mesmo. Medite sentado no sol e agradeça ao universo por existir algo que nos dá vida, luz, plantinhas, ar, tudo pra gente. Agradeça por estar vivo! Meu deus do céu, estar vivo é muito bom, sério, é a melhor coisa que a gente pode ter! Não é dinheiro, não é sucesso, não é carrão, corpão, marido rico, não! É estar vivo e só isso já basta. Estar respirando e poder sentir os elementos, a vida, o sangue passando pelas suas veias, poder conversar e se relacionar com outras pessoas. Isso é vida.

Medite ouvindo uma música boa, medite com incenso, medite no banho agradecendo pela água, medite fazendo cocô, medite comendo e agradeça a algo maior (que a gente não sabe o que é, mas mesmo assim agradeça). Não tô falando sobre acreditar em Jesus ou Deus, ou Buda, ou Maomé, ou Alá, mas se você acredita em algum desses deuses, agradeça a eles pela vida que eles deram a você. Se você não acredita em nada, agradeça somente por estar vivo, à evolução, ao Universo por estar aqui.

Ah, Mare, mas eu tenho muita dificuldade”, sim, tem, porque essa é a vida, mas ter esperança e se segurar em algo é o que vai tirar você daí. E não vai ser eu que vou impor uma nova religião para você, ou alguma nova forma de ver a vida, ou te mostrar a quem tu deve ter esperança. Isso não é obrigatório, você faz o que quiser e o que te deixar mais confortável com a vida, mas é você mesmo que vai ter que te tirar do buraco. Imagine esse texto como uma mão estendida, uma ajuda, não uma imposição do que se deve fazer caso você tenha depressão.

Eu sei exatamente como você se sente, mas eu não posso te pegar no colo e te tirar daí porque é você mesmo, com a sua força, sua dedicação e vontade de aprender a viver acima dos seus demônios que vão tirar você desse buraco.