Um pedido de socorro

Hoje eu fui oficialmente diagnosticada com depressão e ansiedade, ambas doenças em estado grave.

Não vou dizer que não esperava por isso, pois a minha vida sempre se encaminhou para esse momento. Todas as experiências pelas quais passei, os traumas que tenho e os ambientes onde frequento me fizeram estar onde estou hoje, e hoje eu fui diagnosticada com: o fundo do poço.
Eu resolvi procurar ajuda e não é feio fazer isso. Não é embaraçoso contar pra um profissional exatamente como funciona a sua cabeça, como você fica quando tem crises e o que as causa. Ter depressão não é bobagem, não é a mesma coisa que ter uma gripe, é claro, mas é uma doença que precisa ser eliminada igualmente.
Mas o que realmente tem que ser eliminado é a intolerância, é o bullying, é essa poda dos sonhos que os adultos fazem nas nossas crianças. É os cortes que fazem em nós, adultos, pra nos encaixarmos em pedaços na sociedade aos quais achamos que pertencemos. Foi isso que me deixou doente e é isso que deixa muita gente doente. Esse ataque constante de regras que tivemos (e que ainda temos) nos causa feridas irreversíveis, nos faz construir uma parede por onde só entra sentimentos negativos e onde bate e volta toda a revolta e dor que sentimos. Internalizamos o que a sociedade nos joga e transformamos em insegurança, medo e, posteriormente, uma possível doença.
Não nos cortem, não nos moldem, não façam o que acham que julgam ser melhor para nós. Em vez disso, nos perguntem o que queremos. Se queremos ser bailarinas ou bailarinos, nos deem sapatilhas; se quisermos aprender como pintar, nos deem uma tela em branco. Mas nunca, nunca nos digam que não conseguiremos ser o que desejamos ser. Nós podemos tudo, desde que tenhamos apoio.
Agora, o mais importante: eu, meus amigos e amigos de amigos estamos nos tornando adultos. Logo mais teremos filhos e os ensinaremos valores da vida. Entendamos que proteger não é não lançar para o mundo, ou fazer com que eles tenham vergonha de si. Eu percebo muito mais amor e compreensão na minha geração, muito mais pessoas da mesma idade se dando apoio, pois não tiveram isso em casa. Por favor, ensinemos as nossas crianças que elas podem ser o que quiserem, que elas podem amar quem quiserem, que estaremos lá sempre para ajudá-las e não para julgá-las. Peço mais amor, mais compreensão, mais empatia ao nosso futuro para que ele não seja tomado de pessoas com doenças iguais às nossas.