Verão

suas mãos nas minhas
eram tão quentes
quanto o ar
e o cheiro da maresia
invadia a nós dois
como as ondas quebravam
na areia e eu
respirava fundo no seu pescoço
naquele fim de tarde
com gosto de vida
você disse que por mais que
a hora do adeus precisasse vir até nós
no fim daquela estação,
você jamais se esqueceria
de como nossas mãos úmidas
se entrelaçavam e se
entediam no silêncio
nós nunca precisamos de muitas
palavras para dizer o que deveria
ser dito porque
seus velhos verde mar me sorriam, cúmplices
e me amavam com tanta intensidade que
mesmo quando seu avião partiu
naquela manhã ensolarada
te levando para o outro lado do continente
eu soube que não era o fim
e eu ainda sei todo dia
a cada vez que seu nome
ilumina a tela do telefone
eu ouço o barulho das ondas
quebrando e sinto a maresia
nas minhas costas
e eu sou tomada por uma intensa certeza
de que nós sempre teremos o verão
(e de que sem você, não é verão)