Conforto


Quando teus lábios estão rachados,

frios e calados

parados diante de mim,

meu olhar não tem outro destino

que não tua beleza sem fim.

Quando os nós dos teus cabelos

estão deveras embaraçados

pelos carinhos

de meus dedos emaranhados

nos teus cachos descuidados.

Quando tuas mãos,

tão quentes e suaves,

encontram os males

que me habitam por dentro,

e tu deixas teu afeto

em todas minhas partes.

Teu toque suave me invade

até que não reste essa angustia que me arde.

Quando teu sorriso

é o chamado silencioso,

o caminho minimamente tortuoso

pro meu coração.

Preenche o vazio, o escuro e a solidão.

Quando teus olhos

me amam sem dose moderada,

me enxergam como se eu não vestisse nada,

nem mesmo a pele como armadura,

e teu olhar me cura

mesmo que seja da menor rachadura.

Quando teu beijo

descansa no meu,

calmo e sereno,

tenro, pleno…

E vários fragmentos do meu ego

colidem com os teus,

se debatem,

se misturam,

até que não haja mais você nem eu.

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