Sobre saúde mental e a desvalorização de problemas psicológicos

Mariana Dantas
Jul 22, 2017 · 2 min read

Dia 20 de julho de 2017 não foi um dia nada fácil para muita gente.

Foi o dia em que Chris Cornell faria 53 anos se estivesse vivo e, junto a isso, o suicídio de mais um grande artista: Chester Bennington, vocalista do Linkin Park.

Não é segredo para ninguém a importância de Chester e de Linkin Park como um todo para o rock, e para toda uma geração que ouvia essas músicas e se identificava com elas. Mas além disso, precisamos nos atentar a algo ainda mais gritante: estamos perdendo mais um artista para o suicídio.

Aconteceu com ele, Chris Cornell e tantos outros. Grandes vozes e inspirações que estão nos deixando porque sentiram a pressão de suas mentes turbulentas de tal forma que não viram outra saída a não ser tirar suas próprias vidas.

Isso é um alerta para que possamos perceber que a saúde mental é algo sério e deve ser discutido amplamente. Não é porque não é algo físico que não é prejudicial e não deva ser encarado como qualquer outra doença. Depressão, ansiedade e outros problemas psicológicos mascaram a realidade para nós. Nos sufocam e nos atormentam dia após dia, e muitas vezes o que resta é agradecer por ter sido capaz de levantar da cama. Coloca nossos pensamentos em uma confusão total e nos perguntamos o que é real. E em vários momentos, suga a nossa esperança, nossa auto-estima e nossa vontade de viver. E por mais que tentemos, é difícil fazer isso parar. Há dias em que o desespero é maior, pois está tudo simplesmente muito confuso e doloroso e tudo o que queremos é não sentir tudo isso. Parece estranho que uma pessoa desista de viver por causa disso? Parece exagero ou covardia?

E é por isso que precisamos falar sobre isso. Precisamos oferecer apoio a essas pessoas, e tentar nos colocar no lugar delas por mais que seja difícil entender de fato o que elas estão passando. Precisamos dar esperança a elas e mostrar o quanto elas são importantes. Mas acima de tudo, precisamos parar de propagar tanto ódio e desvalorizar os problemas que as pessoas enfrentam.

Se há tantas pessoas com problemas psicológicos, não é por acaso. Não são pessoas “sensíveis demais” ou que fazem isso de propósito. Isso é um reflexo de tantas pessoas que as machucaram, disseram que elas não tinham valor e as fizeram passar por traumas que marcaram suas vidas. Nós não precisamos dar mais um empurrão nessas pessoas em direção ao fundo do poço.

Por que não começamos a propagar mais amor? Será que é muito difícil dizer a uma pessoa que a ama, ou fazer críticas construtivas sem se utilizar de palavras de ódio?

Palavras fazem muita diferença. Você pode salvar a vida de uma pessoa.

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