Cadê seu entusiasmo?

Esses dias, num dos grupos que divulgam vagas para minha área, — Publicidade e Propaganda, Marketing, etc — vi um recrutador questionando o entusiasmo dos entrevistados que ele havia conversado nos últimos tempos. O recrutador dizia que há tempos não via mais candidatos com aquele brilho no olhar e levantou a questão de que poderia faltar mão de obra qualificada nesse mercado.

Ele que me desculpe, mas eu sei o que é perder o brilho nos olhos com a sua profissão. E não só com ela, mas com todo o processo que envolve conseguir um emprego na área e o dia a dia de se trabalhar nela.

Digo isso, porque são meses e meses passando pelo mesmo processo, que geralmente é assim:

1 — Você vê a vaga e o salário, bem abaixo das suas expectativas, mas mesmo assim se candidata, porque achou a vaga/empresa legal.

2 — Das dez vagas que se candidatou, recebe o contato de uma (e você fica felizão demais).

3 — Aí você é chamado pra entrevista, reza pro seu bilhete único ainda ter saldo e vai (pra lugares longe para cacilda inclusive, se perde e acaba numas quebradas muito loucas).

4 — Você chega no lugar e te dão mais uma ficha pra preencher (uai pra que isso? tudo bem, vamos lá…).

5 — Aí você termina e fica lá esperando alguém voltar.

6 — Normalmente, volta a moça do RH e vocês conversam sobre sua experiência e o que você faz na vida pessoal, etc.

7 — Você fica à vontade e vai bem na conversa com a moça do RH. A confiança volta a bater na sua porta!

8 — Então, ela pede pra você esperar mais um pouquinho que vem conversar com você o gerente da área (e você volta a ficar nervoso).

9 — Essa pessoa chega e te pede pra falar novamente tudo o que você tinha dito, mas com um ar bem menos simpático.

10 — Chega um ponto da entrevista que você percebe que, claramente, a pessoa preferia estar m̶o̶r̶t̶a̶ fazendo outras coisas mais interessantes.

11 — Entre algumas perguntas sobre a sua experiência, esta pessoa diz que procura alguém com sangue nos olhos, que esteja disposta a se dedicar 100%, que seja pró-ativa, criativa, animada, comunicativa, saiba trabalhar sob pressão… Tudo o que já ouviu em outras entrevistas e você só consegue pensar que só queria poder pagar suas contas numa boa.

12 — Aí, você começa a ficar um pouco chateado, achando que não tem mais jeito, mas ela diz que vai passar para você um teste por e-mail e você volta a ter esperança.

12 — Você vai pra casa e espera ansiosamente esse teste pra poder dar o seu melhor e garantir esse emprego logo. Quando o teste chega, você começa a quebrar a cabeça pra poder fazer algo bem legal.

13 — Você passa horas fazendo o teste e até vai madrugada a dentro pra poder criar algo bom e diferenciado. O sono tá batendo forte, mas você persevera.

14 — No dia seguinte, você ainda tem coisas para terminar do seu teste e começa a correr para entregar no prazo.

15 — Você termina, dentro do prazo, orgulhoso da sua criação e manda para a empresa. Contente e confiante.

16 — Aí passa um dia… Dois… Três…E você pensa: tudo bem, essas coisas demoram um pouco mesmo.

17 — Uma semana e nada. Você começa a pensar no que fazer… Será que mandar um e-mail pode soar muito ansioso? Ou pró-ativo? Melhor esperar ou correr atrás?

18 — Mais de uma semana depois, chega um e-mail na sua caixa de entrada e você fica empolgado pra ver a resposta, mas ao mesmo tempo morre de medo. E fica nesse abre não abre durante alguns minutos.

19 — Você abre o e-mail, começa a ler e…

20 — Percebe que é uma resposta daquelas padrão, que a pessoa só copia e cola, ctrl+c e ctrl+v, que às vezes vem até com um ENC no título. Mas que diz basicamente que você não foi escolhido para a vaga.

21 — Aí você fica bem bem mal, porque estava confiante depois de todo o processo.

22 — E você começa tudo de novo. Busca pelas vagas, manda o currículo e espera.

E isso dá uma leve desanimada na gente, sabe? Principalmente para quem não está trabalhando e passando por isso meses a fio. Desanima mesmo.

Mas, no fim das contas, mesmo com a crise rolando e tudo mais, você continua a ter fé e acreditar que algum dia algo bom vem pra você. E mantém aquela velha filosofia de vida:

Mesmo que lá dentro, lá no fundo do seu âmago, você pense na verdade assim:

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