White

Tudo se passa em uma única cena. Paredes brancas, uma cadeira ao centro e uma moça sentada sobre ela. A moça estranha o cenário, que por mais que eu quisesse descreve-lo torna impossível por não acarretar nenhum detalhe. Ela, angustiada por estar confinada em um ambiente tão monótono põe a respirar calmamente. Tédio sobre tédio. Paredes brancas, cadeira ao centro e uma moça. As horas estão passando, mas não sabe a quantidade de tempo que se perde. Por tanto, a moça põe-se a bater os pés. Há alguns instantes ela estava relaxada. Respirava. Mas agora ela bate os pés. Ela olha para todos os lados, na verdade, seus olhos dançam por quererem encontrar algo que não seja branco e que não seja de sentar. Impaciente, ela levanta, coloca-se a tatear as paredes e descobre que elas são sólidas, impenetráveis, exaurida de formas como todas as outras… Brancas. Ela para por três segundos e chora, não vê saída, nem porta, só vê a cadeira tão simplória e inerente aquele lugar. Rapidamente, ela se volta pra cadeira e pensa que ali pode ter a chave da saída ou ser a saída. Procura, procura, procura e nada encontra. Dá-se por vencida e começa os berros. Implora pra que a tirem dali, talvez a insanidade já esteja a preparando para realidade. Depois de algum tempo de desespero deitou-se ao chão e lá repousou. Fechou os olhos para tentar imaginar algo que não fosse aquela sala, mas tudo o que via era o branco. Regenerou-se, tomou-se como sã e se sentou na cadeira ao centro, como no início. Ela viu que não podia mudar aquilo, mas que podia fazer daquele lugar o seu mundo. Apertou bem as pálpebras dos olhos e ao abri-los lentamente um pingo de tinta azul cai a sua frente, de repente ela vê uma esperança, outros pingos azuis continuavam a cair. Ela sorriu angelicalmente. Ela era arte.

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