Você já ouviu falar em Economia Sagrada?

O princípio que fundamenta esse conceito é a ideia de que as coisas mais importantes nós não conquistamos, mas ganhamos de graça. Por exemplo; a vida, o ar que respiramos, a natureza etc. Toda a criação partiu do sacrifício — doação de seres mais elevados. Tudo o que existe é resultado de doação. Tudo o que existe são dons, são dádivas.
Se eu recebo uma graça instintivamente me sinto grato. Gratidão gera em mim o impulso de retribuição, de mais doação. Assim desenvolvemos altruísmo.
E desse modo todas as necessidades são naturalmente atendidas, basta que cada um se empenhe em oferecer os seus dons ao mundo.
E por que essa ideia nos parece tão estranha, utópica e irreal? Porque vivemos o paradigma da escassez. Porque baseamos nossa vida, desejos e ações na ideia de que os recursos não são suficientes para todos e que para ter nossas necessidades atendidas eu preciso conquistar os recursos. Daí nasce o impulso para competir com o outro ao invés de cooperar com ele. Daí nasce o desejo de ter controle sobre os recursos; e o único modo de controlar é primeiro gerando a ideia da escassez para em seguida torná-la uma realidade.
Nesse processo aquilo que inicialmente era uma dádiva de Deus para todos os homens passa a ser propriedade de um só. Por exemplo a terra, a água etc.
Dessa necessidade forjada de ter que trabalhar para ganhar o meu sustento surge a meritocracia. Surge a ideia de que só tenho direito à vida se eu brigar por ela. Mas peraí! A vida não foi uma dádiva de Deus? porque transformamos essa dádiva em propriedade privada? 
Podemos agora refletir sobre qual deve ser o objetivo do trabalho. No ponto de vista vigente o objetivo do trabalho é conquistar para si os recursos, se apropriar deles. estocá-los, controlá-los. No ponto de vista da economia sagrada o objetivo do trabalho é desenvolver cada vez mais e melhor a forma de doar seus talentos ao mundo. 
Meus talentos só se tornam realidade na medida em que os doo ao mundo. Eu só progrido na medida em que apoio e ajudo os outros a progredirem.
Então não preciso me preocupar com o meu ganho, mas com aquilo que posso doar. Só preciso me ocupar com a concretização dos meus talentos no mundo. 
O que é necessário desenvolver aí é a confiança. 
Gratidão e confiança são os verdadeiros valores de troca na economia sagrada.

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