“Os poucos versos que aí vão,/ Em lugar de outros é que eu os ponho./ Tu me lês deixo ao teu sonho/ Imaginar como serão.” (Versos escritos n’água/M. Bandeira)
Ai de mim, Nessa hora que tudo se cala, Se recolhe. Não há sonho nem devaneio, nem pranto. O aroma doce da camomila Me enche a boca de saliências. Prolongo-o na língua. O embate das pálpebras se dá, lentamente pra esvaziar o dia.
Viva a poesia e viva o poeta!
Papel em branco
Joguei para o alto o papel em branco, ao descer, um poema surgiu. Quem o escreveu…
Glândulas aglutinaram na espessa saliva
enlevadas de um torpor
num adocicar reconfortante.
Sem querer retenho na boca,
na fina abstração
Revelar-me-ia o mundo para ver somente o belo.O rude, o grotesco subjugado num canto qualquer.Ele a me proteger. Do mundo.Eu, sempre menina. Contente.Ao atender o chamado descortinou-se o mundo.Avistaram-me olhos bons e olhos cruéis.E os olhos do meu pai não puderam mais me…
Despertei envolta num lençol de seda,
e deslumbrei lascas de brilho,
em meus olhos,
misturados aos entulhos,
brotava nova construção.
Tem coisa virando lembrança.