O amor é amor - pero no mucho

No Dia Internacional de Combate à Homofobia “todo mundo” é colorido, é hashtag loveislove.

A força impactante do twitter e também demais mídias sociais é arrebatadora. Todavia, entendo que um assunto está perto — eu disse perto — , de ser pautado com clareza na sociedade apenas quando ele é transmitido no meio de comunicação da grande massa: a televisão.

Em telenovelas daquela emissora [vocês sabem qual], já falaram de casamento lésbico em Senhora do Destino, de casamento gay em Amor à Vida, e agora de transgênero em A Força do Querer.

Muito que bem! O que isso significa: que a comunidade LGBTQX está lentamente galgando um espaço. Temáticas passam a ser discutidas em todos os meios de comunicação, a TV nos mostra como seres vivos, pensantes, capazes de muita coisa — embora, todos esses personagens façam parte do núcleo rico da novela — , afinal, imagina o trampo que seria mostrar pra sociedade a realidade das mona, tucha, sapa e bee pobre, né, non.

Então tá liberado ser LGBTQX se você for minimamente abastado financeiramente, se tiver estudado e coisa e tal. O que a gente faz com a massa pobre nacional, classe média, classe média baixa e periférica? Gongamos! Criamos um quadro de humor, ridicularizamos e quem reclamar, chamamos de “geração mimmi” — aquela que classifica o ofensivo como politicamente incorreto.

Afinal, a sátira também é uma composição a qual ridiculariza os vícios e as imperfeições — e tem algo mais imperfeito do que não ser hétero?¹

Sabe o resultado disso: um meio social totalmente elitista e preconceituoso — em que a regra é “tudo bem ser LGBTQX desde que você não dê pinta, seja bonito, elegante e abastado”.

O nos conduz a, por exemplo, 1 morte por homofobia a cada 28 horas , 340 homicídios em 2016 nas Américas , desses 140 são contra travestis e transexuais — isso porque a homofobia não é criminalizada em todo BR feat mundo, ou seja, esse número aí é bem maior, mores.

Mas, Santo Batman, o que fazer? Certa vez, lendo algumas coisas pro Dalai Lama, lembro que ele disse “Se educarmos as crianças para meditarem desde muito pequenas, acabaremos com a violência em uma geração”.

Entra ano, sai ano e eu vejo o conteúdo LGBTQX ser abordado didaticamente com um pisar em ovos de proporções nostradâmicas. Produzo e edito conteúdo didático, e pasmem: o que nos resta em um material acerca de diversidade e sexualidade é, no máximo, um box com 2400 caracteres.

Estatísticas sobre a violência a qual somos vítimas dia após dia — desde olhares turvos até ameaças de morte em tantas vias públicas e residências — , são desconsiderados. Conscientização sobre amor e família também.

Não, não é exagero. É impossível educarmos a geração atual sobre as questões de diversidade sem pautar isso tudo dentro das instituições de ensino. Assim como a sociedade patriarcal teve de — e está aprendendo vagarosamente —, a respeitar a mulher, ela precisa — eu disse pre ci sa —, aprender a amar uns aos outros e entender que esses uns e outros relacionam-se e identificam-se [quanto ao gênero e vestimenta] da forma que lhes parecer mais agradável e satisfatório.

Já ouviram dizer que o ódio é o avô do medo, que é pai da ignorância e irmão da violência. Pois bem, diante de tal constato: ou a Diversidade [de gênero, cultural e sexual] é abordada de uma forma didática e ampla na educação ou teremos mais tantas gerações sofrendo com a praga chamada ignorância, medo e violência.

Vejo uma geração de engajados em modernizar as formas de ensino, uso e rackeamento da tecnologia, app e sistemas didáticos sem uso de papel, robótica, maker-num-sei-das-quantas, lab-sei-lá-o-que e tantos eventos inundados de termos ideológicos inovadores, mas nenhum — eu disse, ne nhum — , pensou e/ou abordou tal ferida social.

Disso concluo que há mais coragem e engajamento para fazer um robô de papelão ou uma leva de aplicativos que minimizam o trabalho do professor na sala de aula do que para conduzir semanalmente uma roda de reflexão com cada turma nas escolas abordando Direitos Humanos e questões sociais. Otimizam a burocracia na sala de aula, na escola, na vida, mas esquecem de usar esse tempo “livre” para as questões humanas.

Como gosto de fomentar e sugerir, indico abrirem uma reflexão coletiva a partir da música “Ainda há tempo”, do rapper Criolo. O resultado é surpreendente!

Aos inovadores entusiastas da educação, lembremos que educar uma geração para amar é a maior revolução que pode ser feita nesses tempos de cólera tão difíceis para os sonhadores.

Happy #loveislove day para todos nós!

Um beijo pras trava, pras tucha, pras mona, pras sapas, pras bee e pras queen/r.

¹ Nota irônica do autor.

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