Reflexões sobre o texto O Professor Avaliador Matilde V. Ricardi Scaramucci

Sabemos que um processo de ensino/aprendizagem eficaz possui dois polos. O aluno e o professor. O professor ocupa uma posição central nesse processo. Por isso a importância de uma boa formação. O texto de Matilde V. Ricardi Scaramucci trata da importância da avaliação no processo de ensino/aprendizagem, com foco no papel do professor. A formação do professor tem se mostrado até então precária, principalmente “por não promover o desenvolvimento da capacidade linguístico-comunicativa (…) em níveis adequados para o desenvolvimento de propostas que se fundamentam em teorias sócio interacionistas e comunicativas”. A abordagem do professor tem sido criticada por ser pautada em princípios gramaticistas. A formação do professor tem se fundamentado no paradigma da racionalidade técnica, que concebe o ambiente da sala de aula como previsível e estático, e deve ser substituído pelo paradigma da racionalidade prática, cujo contexto de atuação é imprevisível, incerto, complexo e flutuante, em que as soluções são propostas a partir da problematização e da reflexão sistemática e contínua. A reflexão sobre a prática do professor deve ser pautada não apenas em insumos teóricos, mas também nos provenientes da cultura de ensinar/aprender/avaliar do professor, constituída por suas crenças e pressupostos teóricos sobre a língua (gem), ensino e avaliação. Segundo a autora nota-se a ausência de uma maior preocupação no contexto de formação de professores com a avaliação, como são tratadas as outras fases do processo de ensino/aprendizagem. O professor não está preparado para usar a avaliação com a função diagnóstica e educativa. Discutidos esses aspectos a Scaramucci aborda em seu texto o tema central que é justificar a importância da avaliação na formação do professor de línguas. Segundo ela, a avaliação é o elemento central e integrador do processo de ensino/aprendizagem. Não deve ser tratada como uma etapa final, independente. É fundamental na definição do ponto de chegada do ensino e dos objetivos a serem alcançados, como também do ponto de partida. É preciso ao se refletir sobre a prática avaliativa considerar o contexto sócio cultural de atuação do professor. Entretanto, não concordo com a autora quando me deparo com a afirmação de que a dificuldade de implementação de propostas formativas não se deve ao número de alunos por sala nem a falta de tempo do professor, mas ao desconhecimento conceitual pelo professor do que sejam tais propostas e da dificuldade de articulação do processo qualitativo e quantitativo de avaliação adotados nas escolas públicas. Foi usado um caso de pesquisa com um professor como exemplo, o que é muito pouco para que seja considerado uma teoria. Pode ser que haja tais dificuldades por parte de muitos professores, há cursos e cursos de formação, porém o número de aluno, no caso do nosso país e a falta de tempo do professor são sim fatores que prejudicam sobremaneira a implementação de avaliações formativas eficazes. Para Scaramucci a avaliação é autoritária quando é planejada sem objetivos e critérios claros para alcançar esses objetivos e em desarmonia com o que foi ensinado pois o professor é quem decide o que vai avaliar e usa a avaliação como um mecanismo classificatório, de controle e disciplina e de inclusão e exclusão. Ao se considerar e se planejar o processo de ensino de língua estrangeira é necessário levar em conta qual é a visão do professor sobre conceitos tais como o que é língua(gem), o que é ensinar, o que é ensino e aprendizagem de língua estrangeira, sua pratica tem que ser consistente com essa visão; a seleção do material didático, técnicas e métodos também deve ser é consistente com ela. A visão do professor do que é proficiência e do que é saber uma língua também delimita a natureza dos métodos ou maneiras de ensinar e do material didático, procedimento e instrumentos de avaliação. Os instrumentos teriam que focalizar o desempenho do aluno em situações que envolvam a construção de sentidos e não apenas se o mesmo é capaz de manipular formas gramaticais. Portanto, a autora trata da importância da avaliação na formação do professor de língua estrangeira, apresentando fundamentos para a implementação dessa reflexão.

SCARAMUCCI, M.V. R. O professor avaliador: sobre a importância da avaliação na formação do professor de língua estrangeira. In: Rottava, L. & Santos, S.R. (orgs.) Ensino-aprendizagem de Linguas: Língua Estrangeira. Coleção Linguagens, Ijuí: Editora da UNIJUI, pp 49–64, 161 páginas, 2006.

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