queria me conter, queria não me expôr — nem ela — mesmo sabendo que esse cuidado ela nunca teve/tem comigo. Eu queria não querer escrever sempre que a dor me esmaga, me estilhaça e me acaba. Eu queria não ser transparente pras pessoas não saberem quando olham nos meus olhos a cor do vazio que eles mostram. Eu queria não ter vontade de chorar quando cruzo com ela — todo santo dia, queria desaprender hábitos antigos, e saber lidar com mudanças drásticas. Queria conseguir dormir uma única noite de sono completa — e sem ajuda de remédios. Queria não sonhar com ela, e queria ainda mais acordar achando que tudo isso era só um pesadelo. Queria não me acabar em lágrimas no colo da minha mãe tentando relatar o que aconteceu sem perder a voz, sem me perder na memória, sem lembrar dos detalhes, das noites sem dormir fazendo planos, sem lembrar como eu me sentia em casa dormindo no seu peito, sem lembrar que você era meu lar. Você que tantas vezes, falou em casa, filhos, cachorro e num futuro parece ter esquecido de cada detalhe do passado — e me deixou presa nele.
Eu só não queria ter perdido você.
