Eu te conheço de algum lugar? Seu rosto é tão familiar…
Que saudade de escrever. Entre um prazo e outro, uma ansiedade e uma angústia, um término e um “logo arranjou um emprego”, não coube uma porção de palavras em deriva, em um fluxo singular feito por mim e para mim. Que saudade de meus textos de escola, cheios de figuras de linguagem, metáforas e clichês que, sob meu olhar arrogante de adolescente, pareciam tremendamente profundos, uma sapiência precoce. Que saudade do texto em papel que perdi ou daquele que eu deixei pra anotar depois que eu saísse do transporte público. Mais que saudoso, que desejoso esse encontro comigo, em uma tão genuína — e fraudulenta — tentativa de estabelecer um diálogo de eu para eu mesma, numa conversa entre cigarros, relógio estacionado e ombros descontraídos.
Paulo Leminski, quem eu quase desconheço, sugere em um dos seus textos que escreve porque lhe é natural e que não há porque tentar encontrar motivos que justifiquem este exercício. Pra mim esse quadro é totalmente distinto, pois me parece uma prática como a da atividade física: é necessária para uma vida boa, mas me nego por descuido.
Texto demandante e desajeitado, que você faça parte da minha rotina, em encontros em que eu sento para ouvir um pouco de minhas vísceras reclamonas. Neste exercício, que a prática me garante fôlego e músculos frouxos, me vejo novamente aqui, me percebendo gritantemente vista entre cafonérrimos textos.
