Recife, 14 de outubro de 2017

Fazia tempo que não me dava o luxo de sentir tantas emoções

Passei a semana inquieta, desde o último domingo (8) queria ir ao cinema, conversei com os amigos, eles toparam. Fiquei esperando a programação do cinema sair, pois toda quarta-feira eles divulgam os filmes que vão passar até a próxima semana. O filme que estava afim de assistir era As Duas Irenes, Dir. Fábio Meira, uma produção brasileira, mas não passaria neste domingo (15), fiquei aflita. Tinha alguns livros para pegar na livraria cultura, queria muito ir acompanhada. Mas não rolou. E meus amigos teriam outra coisa para fazer ou melhor nem perguntei se teriam, se fosse para chamar de última hora, não valeria a pena. Me arrumei e fui até a cidade, até aí tudo bem, faço isso com muita frequência. Ao passar pela ponte giratória de Recife, segurei meu vestido, olhei para o horizonte, tantos prédios e o rio cortando a cidade, respirei fundo e sentir uma leveza estupenda dentro de mim. Fazia tempo que não me dava o luxo de sentir tantas emoções. Fiquei segurando o vestido para o vento não mostrar coisas demais. Cheguei à livraria que fica no Recife Antigo e peguei as encomendas. Será sempre o lugar que perderei horas, ainda cogitei em comprar mais livros, porém lembrei que tenho muitos para serem lidos.

Em seguida fui caminhando até a Rua da Aurora, para pisar no meu lugar favorito: Cinema São Luiz. Antes passei pela Avenida Dantas Barreto e Av. Guararapes. Parei, resolvi comprar um milkshake e segui para o cinema. O filme só começaria às 18h, sentei e fiquei olhando os livros e conversando no Whatsapp. Neste mesmo dia rolou um filme chamado: Ivan, o terrível, Dir. Sergei Eisenstein, em película com entrada gratuita, mas acabei optado pela minha sessão das 18h. Comprado ingresso, hora do filme.

Nunca tinha ido ao cinema sozinha, era uma das últimas coisas da minha vasta lista de obrigações para poder aprender a conviver comigo mesma e ficar feliz com minha própria companhia. Não fiquei desconfortável por está com pessoas acompanhadas, nem sempre temos quem queremos ao nosso lado. As pessoas ficam meio desacreditadas quando digo que fui sozinha, até porque acreditam que a felicidade depende em ter outra pessoa ao seu lado. Já li tanto sobre felicidade, sobre relacionamentos, tanto sobre tudo, mas nunca fiz a leitura de mim mesma. Parece confuso, porém, preciso entender minhas limitações e parar de acreditar que tudo se faz acompanhada. Tive esse prazer e quero repetir, se possível o mais rápido possível, gostei da leveza de sair de lá com a consciência tranquila. Fiquei feliz comigo mesma, com minha própria companhia, isso é incrível. O próximo filme será um italiano. Vou me dar ao luxo de ter vários prazeres neste momento de auto conhecimento e questionamentos

texto suscetível a mudanças*

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