Ô, menina,

Que tem esses olhos redondos tão brilhantes. Que olha curiosa, da janela do ônibus, a vida acontecendo nas calçadas da cidade. Que ri alto, sem vergonha ou classe. Que veste a camisa e discute vermelha, calorosa, com coragem.

Ô, menina. Que chegou aqui e eu nem percebi. Pendurou as calcinhas no meu banheiro, colocou a escova de dentes junto da minha. Que cantarolou no meu ouvido, me fez dormir abraçado e comer menos sal. Ô, menina, que me comprou patins, que me apresentou aquela banda que todos os integrantes nasceram depois que eu já tava perdendo cabelo. Que me deu um all star branco.

Ô, menina, que não tem medo, como eu tenho, de se jogar nessa nossa história. Que não conhece meus medos e receios porque se machucou pouco na vida. Que não sabe o que é separar, só sabe o que é juntar e fazer o que o coração manda. Ô, menina, que chora alto, que gargalha com TV aberta, que presta atenção quando eu conto do meu medo de engasgar com comprimidos.

Faz assim não, menina. Não se assusta comigo, não. Volta aqui. Eu pareço estranho, ranzinza, frio, seco, burro. Mas eu gosto de você. Ô, menina, eu gosto. Só não sei como te dizer.

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