Se apaixonar é excluir o tinder

Não importa se você acabou com o primeiro namorado ou está passando pelo terceiro divórcio. Após algum tempo você vai, sim, acreditar de novo no amor.

É busca. E, em tempos de hoje, é match. É acreditar que um like duplo pode ser a janelinha aberta para dias de domingo preguiçosos, dormir na rede abraçadinhos, cozinhar a dois e ir ao cinema de mãos dadas. É, o amor é resiliente e nos faz acreditar de novo, mesmo que a contragosto. Você tá lá, quietinho, ele chega e derruba a porta.

Nessa semana, conversava com um amigo sobre o novo flerte dele. “Mas, e aí, tá gostando dela?” “Sim, até excluí os aplicativos”. Foi engraçado, porque eu não precisei perguntar mais nada, nem ele explicar. E aí depois fiquei pensando o que aquilo significava. Se apaixonar é parar de buscar lá fora e acreditar que aquela pessoa pode completar você. É começar a buscar em uma pessoa só.

É claro que há outros formatos de relação e namoros, casamentos, flertes, casos que envolvem mais de uma pessoa e até um tinder do casal, por exemplo. Mas falo aqui daquela contradição que é dizer que quer todas e achar só uma. Que é ver cada conversinha do Whatsapp não fazer tanto sentido quanto aquela especial. Dar um sorrisinho cada vez que o nome da pessoa aparece na tela do telefone. É renunciar ao desbunde dos doze encontros por semana, formatos, cheiros, cores, timbres e peitos para ter ela. Ou ele.

Até que a gente caia de novo em desgosto e diga que amor não bebe nunca mais. Que é veneno, que agora vai focar na carreira, na academia, no intercâmbio. Até ele chegar mansinho, impiedoso, sem dó. De novo. O amor, esse danado.