Analogias pra falar de Amor

Maria
Maria
Nov 1 · 2 min read

Um dia, alguém do passado me disse que se sentia como estando em um quarto escuro, de porta trancada e no meio da bagunça, tivesse perdido a chave. Me pedia incessantemente para que eu pudesse, com os dois pés e na maior força, derrubar a porta para que eu conseguisse dar fim nesse escuro todo. Foi exatamente essa metáfora que foi usada, eu me lembro direitinho.
Lembrei disso porque me senti assim.
Sentia com uma urgência angustiante a vontade de ver tudo mais claro de novo. E mais marcante ainda que essa sensação, é a de ver uma luz voltando a dar as caras porque alguém abriu a porta.
Ufa!
Alguém com a delicadeza e sabedoria de quem soube esperar pelo momento certo, com a paciência bonita que eu queria saber ter. Abriu sem mais nem menos, na cara e na coragem, mesmo sem saber se eu iria querer sair de lá ou não. Eu já tava quase me sentindo confortável nas minhas próprias nóias de novo, e na desconfiança de que essa pessoa fosse perder a chave e me deixar lá, nessa cegueira que eu já conhecia. É bizarro, quando a vida capricha demais, de primeira eu desconfio.
É como aquele medinho de pular na piscina, mesmo com o sol fazendo arder o chão debaixo do nosso pé. Eu, que nem sei nadar, dessa vez preferi sentar na beiradinha, acostumando com a ideia, ao invés de me jogar de cabeça. Acostumar com a ideia de compartilhar com alguém coisas tão pequenas, mas tão minhas; momentos tão livres, mas tão meus. E devagarinho, do jeito que eu aprendi com ele, tudo isso não é mais só meu, é tudo naturalmente nosso. E o nós é tão mais bonito de falar, de ouvir.
Parece que é tudo completamente novo, e é gostoso como uma novidade, mas já tava aqui há tempos. É legal como ganhar um presente que já tava pedindo há meses, sabe? Pedindo faz tempo mas sabendo que ganharia quando tivesse que ganhar. E todo mundo fala mesmo que a espera faz ser ainda melhor quando finalmente, o momento chega. A gente começa a perceber as pequenas riquezas em detalhes como esse: não ser capaz de segurar o sorriso, gastar horas passeando os olhos em outros olhos, perder a mão no caminho que o carinho faz.
Dentre as drogas que a gente já conhece, depois disso é tipo: foda-se a cafeína, o álcool e a nicotina. Fichinha. ‘’Gostar de alguém é a droga mais forte que já experimentei até aqui.’’ Uma brisa longa. Eu sei que é meio assustador, assim, tem gente que não quer perder o controle. Até que rola e tudo que a gente quer é nunca mais ter controle sobre nada. A gente se perde na viagem que dá, nunca mais quer voltar. E quando volta, quer fazer tudo de novo.

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    pontuando a vida pra ver se faz sentido