Hoje eu precisava falar

Hoje eu procurei todos os meios de gritar tantas coisas que eu só precisava ter a chance se sussurrar pra alguém. Gritando ou sussurrando, no volume que fosse, todas essas certezas e incertezas sairiam de mim e, divididas com alguém, se tornariam mais leves e outras, ainda melhores. Hoje eu queria contar pra alguém sobre as certezas que eu ganhei e algumas que eu quero deixar pra trás; sobre os medos que eu criei em uns dias e uma alegria que cultivo há poucos meses; sobre todas as coisas que me torraram a paciência de vez e as que vêm alegrando meus dias e me dando a mão pra continuar; sobre o medo de estar repentinamente sozinha e o medo de fazer alguém que precisa de mim se sentir subitamente, da mesma forma. E hoje eu não falei e todas essas e mais algumas saem em forma de desabafo no meio da noite pra mim mesma, que leio tudo e me torno minha própria confidente. Como se ao ler meus próprios pensamentos, eles diminuíssem de tamanho e eu talvez consiga me aconselhar quando claramente, ninguém mais pode. E hoje, ao invés de me incomodar em fazer alguém ouvir essas minhas longas e indecisas histórias, eu parei pra ouvir tantas de tantas pessoas que precisavam como eu, ser ouvidas. Percebi o quanto olhos atentos e um ouvido amigo podem transformar uma hora de agonia em um momento de aproximação. Eu vi quantos corações carentes ao meu redor existem, querendo cinco minutos de amor para compensar várias horas da falta dele. Eu ouvi e me senti como se dividindo um peso delas por mais que o meu parecesse tão mais. E hoje eu vi que talvez meus medos possam esperar o que de alguns já não pode mais. Percebi que no fim, mais fácil é ter mil cabeças apoiadas no meu ombro quando há procura por um refúgio do que ter, realmente que procurar por um.

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