O Amor próprio é do caralho

Esses dias eu olhei pra dentro, vi uma menina de olhos grandes escondidos atrás de grandes óculos. Espiava o que ela ouvia com tanta vontade naquele celular, ora um Jorge Ben Jor, ora um Mc Fióti: contrastes, como sempre presentes nela. Ela é o que quer naquela hora. Se portava com uma auto confiança aparente, mas quando cruzava o olhar com o de alguém, lá se mostrava uma timidez típica de quem não sabe o tanto que é. Ela era de extremos, uma hora apaixonada, louca de saudades; na outra, dançando igual louca no meio da pista, feliz por estar completamente sozinha. Uma hora bem humorada, com uma risada boba pelos cantos; na outra, um mau humor que se sente pesar da outra esquina. Ela, que adora uma fofoca e ao mesmo tempo, gosta de dar bronca em quem fala da vida alheia e que cada um cuide do seu! Observei mais um pouco e vi que secava umas lágrimas olhando algumas fotos, passava pro lado e dava risada, assistindo a alguns vídeos. Quando a tela ficava escura, vaidosa, se posicionava em frente ao celular, admirando cada detalhe dela mesma, num egocentrismo que lhe é familiar, já que se ama e não esconde. Pode ser o signo típico narcisista, leonina, sabe como é. Ou a lua dela, no raio que o parta, qualquer coisa que a gente queira usar pra mascarar uma coisa que tem um nome só, e que tanta mulher por aí desconhece: amor próprio. Se admira, se leva, se observa; chega a conclusão de que se ama em cada detalhe escroto que há quem chame de defeito e que não cabe ninguém fazer ela amar, se não ela mesma. Depois de olhar bem fundo, foi aí que me vi, me declarando para mim mesma de um jeito que ninguém foi capaz, ninguém me conhece tanto quanto eu. Então para que esperar uma declaração vinda de fora, se a mais bonita delas tá sempre aqui dentro? Quem sabe não é por isso que nenhum romance ficou de vez — nunca achei ninguém que me amasse tanto quanto eu.

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