Um adeus que eu já dei
Tão comum pra mim, conhecer gente desprendida, gente desapegada, que sonha em conquistar o mundo, vai lá e consegue. Minha sina talvez seja sempre estar ao lado de alguém que já está ali, com o pé na porta, passaporte na mão, pronto pra dizer ‘’até mais’’ em quantas línguas for preciso. Talvez me falte esse desprendimento, essa vontade de rodar o mundo por mais de um mês, sem vontade de ligar pra minha mãe me buscar no meio da noite. Admiro muito quem consegue, com essa facilidade se despedir e quando se sente acomodado, logo já é hora de fazer as malas novamente. Sempre soube que minha vida seria um palco dramático, mas eu nunca me acostumo com as cenas de despedida. Essa não é a primeira vez e certamente, não será a última em que eu olho nos olhos de uma velha alma gêmea com aquela vontade de dizer: ‘’porra, será que cê não pode ficar?” mas o foda é já estar acostumada a chegar na hora e simplesmente dizer: ‘’vai, que esse mundo tá cansado de te esperar.’’ Seria egoísmo demais pensar que a gente pode fazer alguém querer ficar nas velhas e mesmas terras conhecidas, pelo simples prazer de se estar perto? Eu nem insisto nesse pedido, porque já deve estar escrito nos meus olhos brilhantes ao olhar para aqueles pequenos olhos: ‘’eu vou sempre esperar a sua volta.’’
