“Há uma grande afinidade, e esperamos que a população observe esse tipo de comportamento”, diz Salamuni sobre relação com Gustavo Fruet

27/09/2016

Reportagem: Maria Fernanda Mileski / Edição: Ana Leticia Branco

Paulo Salamuni é curitibano da raça e da graça. Candidato a vice-prefeitura de Curitiba na chapa de Gustavo Fruet, o advogado iniciou sua vida pública quando em 1987 assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Social. Tomou gosto. Atualmente é vereador em seu sétimo mandato consecutivo, pelo Partido Verde. Em 2013 exerceu a presidência da Câmara, implementando ações que renderam ao legislativo municipal o título de mais transparente do Brasil.

Crítico daqueles que desejam fazer da cidade “espaço para o próprio narcisismo”, ele diz ser necessário um segundo turno, pois “aprofunda o debate e ninguém se acha unânime”. Em entrevista ao Jornal Comunicação, Paulo Salamuni apresenta algumas das propostas do seu plano de governo e defende a administração de Gustavo Fruet, a quem tece afinidade pela trajetória comum. “Eu posso assegurar que a cidade de Curitiba não colapsou devido ao foco do prefeito”, considera.

Jornal Comunicação: Em 2012, Fruet contava com Miriam Gonçalves, do PT, como vice. Nestas eleições conta com o senhor, que é do PV. Qual o motivo dessa troca e como será a relação entre o senhor e Gustavo Fruet se eleitos?

Paulo Salamuni: Depois da posse em 2012, houve um distanciamento entre o Partido dos Trabalhadores e a administração da prefeitura, por toda a conjuntura nacional daquele momento. Hoje o PT tem candidato próprio, que inclusive tece algumas críticas a meu ver infundadas, pois eles participaram da administração, sabem das dificuldades. Portanto a substituição foi algo quase que natural. O meu nome surgiu e foi um consenso dos partidos da coligação. Eu e Gustavo temos muitas coisas em comum. Ele foi líder estudantil da Faculdade de Direito da Universidade Federal e coordenou a campanha do meu pai, Riad Salamuni, que foi o primeiro reitor eleito da UFPR. Eu fui fundador do Centro Acadêmico Sobral Pinto da PUC-PR e fui coordenador da juventude na campanha do pai do Gustavo para prefeito em Curitiba. Nascemos aqui, temos formação acadêmica, vivemos intensamente a política. Há uma grande afinidade, e esperamos que a população observe esse tipo de comportamento.

JC: Como o senhor pensa a relação do governo municipal com o governo estadual de Beto Richa para a próxima gestão?

PS: Não é só na próxima gestão, mas qualquer governo num processo democrático tem que ter o espírito republicano. As divergências devem ser deixadas para a época da eleição. Após, o prefeito, o governador e o presidente devem governar republicanamente. Obviamente que existem algumas questões pontuais. Por exemplo, as críticas sobre os contratos de parte da integração que não foram renovados pelo Governo do Estado do Paraná caíram injustamente sobre o prefeito Fruet. O que espero é que do ponto de vista político e ideológico a relação seja democrática.

JC: Aproveitando que o senhor falou sobre transporte, qual a proposta do seu plano de governo para a integração e para resolver essa questão?

PS: A integração existe, não foi desfeita. O transporte opera normalmente e a tarifa de Curitiba, guardadas as proporções dos municípios, acaba sendo a mais em conta comparada às cidades da região metropolitana. A tendência é manter a integração do transporte e ampliá-la sempre na medida do possível, obviamente dentro da absoluta legalidade que reza o contrato e a licitação.

JC: Algumas manifestações nas redes sociais apontam Fruet e sua chapa como defensores do Governo Dilma, por não demonstrarem apoio ao afastamento da presidente. Qual a sua leitura a respeito do processo de Impeachment?

PS: Independente de quem seja é um processo sempre traumático. O prefeito Gustavo Fruet também tem essa posição. É muito complexo tirar do poder quem foi eleito pela vontade popular. Por outro lado, o Impeachment é previsto pela Constituição. O que ocorre de uma forma geral é o seguinte: houve escândalos de corrupção no Governo Federal e escândalos de corrupção no Governo Estadual. Lá Lava-Jato, aqui Publicano, lá Petrolão, aqui Quadro Negro. Então qual é a diferença entre os dirigentes do PT no nível federal e do PSDB no estadual? Você tem pessoas boas e ruins em todos os partidos e cada um responde pela sua história. Se nestes últimos quatro anos aconteceram escândalos no país, isso não ocorreu na cidade de Curitiba. Nem na Câmara Municipal sob a minha presidência, muito menos no Governo de Curitiba sob a direção do Gustavo Fruet. A cidade foi considerada a capital número um de transparência pelo Ministério Público Federal, pela Controladoria Geral da União e pelo Instituto Ethos.

JC: Ainda a respeito do processo de Impeachment, qual a sua avaliação sobre o governo Temer e como a chapa pretende dialogar com a administração federal?

PS: Com o mesmo tipo de diálogo. Há certa facilidade, pois o prefeito Gustavo Fruet e o presidente Michel Temer foram colegas na Câmara Federal quando deputados. Vai ser uma conversa institucional, a mesma que teremos com o governador. Em Curitiba as pessoas identificam que há uma crise no governo federal e no governo estadual, mas acham que a capital é muito rica. Dá impressão que tem dinheiro sobrando e que a gestão não sabe como gastar. Muito pelo contrário. Se o recurso for investido exclusivamente na plástica da cidade, vai faltar para o ser humano. Esse é o espírito do prefeito Gustavo Fruet, que compõe uma “escola” de administração. A outra “escola”, do nosso principal adversário, tem a necessidade de governar como se Curitiba fosse um império de sua propriedade. É isso que está sendo levado em conta neste momento estratégico a duas semanas de uma eleição.

Salamuni entende que o vice deve estar preparado para ajudar a administrar, cumprir tarefas específicas, até a própria substituição do titular (Foto: Gabriel Hubner)

JC: O senhor fala em duas escolas e também faz referência a postura do candidato Greca. Houve a divulgação do áudio que dava a entender que o prefeito Gustavo Fruet teria sido omisso no atendimento aos professores no dia 29 de abril. Qual a sua avaliação sobre a campanha do Greca e dos outros candidatos?

PS: O que me causa mais surpresa é que dos nove candidatos, acredito que seis não têm noção do que falam e alguns uma noção muito superficial. Na gestão pública, você pode fazer somente aquilo que a lei autoriza, quem desejar fazer do seu jeito vai ser penalizado. Por exemplo, o ex-prefeito Greca não governou com a lei de responsabilidade fiscal, ele fazia o que ele queria e estamos pagando empréstimos dele até hoje. Sinto que o Greca faz uma campanha do velho estilo de política, ele encobre e falta com a verdade. No episódio dos professores fez uma montagem para dar a entender que o Gustavo tinha ido se esconder no porão, quando na verdade foi para a garagem ajudar a receber os feridos. Tem as obras de arte desaparecidas da Fundação Cultural que apareceram na sua chácara, de fotos que ele colocou em seu Facebook. Quer dizer, olha a diferença de postura.

JC: A Secretaria de Juventudes está atrelada à Secretaria Municipal de Esporte e lazer. Existe alguma proposta específica de políticas públicas voltadas para os jovens curitibanos?

PS: A pedido de jovens existe hoje a Praça de Bolso do Ciclista. Na periferia são nove Portais do Futuro, obras enormes com piscina, dança. Um trabalho belíssimo. Tem jovens de uma escola pública, a Durival de Brito, que foram para um torneio de robótica nos EUA. Então, também imagino que a juventude possa entender a importância em eleger alguém como Gustavo, pois tem muito proposta em esporte e lazer. Acho que nunca tiveram um olhar por parte do poder público como tem agora.

JC: Das 1710 pessoas que participaram de capacitações nos espaços empreendedores das Ruas da Cidadania em 2015, mais da metade eram mulheres. Quais são as propostas voltadas diretamente a população feminina, não somente quanto ao empreendedorismo, mas também em relação ao empoderamento e combate à violência?

PS: Cada vez mais a mulher passa a ter um espaço de construção, sem ser coadjuvante. Uma crítica que faço à Câmara Municipal é que somos em 38 vereadores e 52% das habitantes de Curitiba são mulheres. Teoricamente deveríamos ter mulheres em metade das cadeiras, representando o povo. Tem uma secretária atuante que faz a interface com o Judiciário, extremamente apoiada pelo prefeito Gustavo Fruet, diferente de alguns dos nossos adversários que não falam sobre o empoderamento feminino. O processo continua daqui pra frente, também no combate à violência, principalmente a doméstica. Existe a Casa da Mulher Brasileira, uma obra em conjunto com o governo federal, a Patrulha Maria da Penha, que sou o autor da lei, pois os casos de violência são impressionantes nessa cidade. São obras imateriais.

JC: Qual a Curitiba que o senhor gostaria de ver no futuro?

PS: É uma Curitiba onde haja um equilíbrio social. Uma cidade solidária, digna, que contemple todas as suas facetas. E principalmente que possa ser a cidade que eu nasci, que vários escolheram e que seja sempre esse orgulho. Uma cidade com 1 milhão e 700 mil habitantes têm dificuldades sociais como qualquer centro urbano. É preciso alguém sensível para enfrentar e resolver esses problemas. A pretexto de ganhar uma eleição os adversários baixam a autoestima, dizendo que isso aqui está tudo ruim, nada funciona. É uma inverdade.

Link para a reportagem no site do Jornal Comunicação

http://jornalcomunicacaoufpr.com.br/esperamos-que-a-populacao-observe-esse-tipo-de-comportamento/

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    Portfólio de reportagens produzidas durante o curso de Comunicação Social — Jornalismo da Universidade Federal do Paraná

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