Abusos românticos
Eu estava amando. E já estava sentindo na carne os efeitos dessa droga, — definitivamente uma droga — quase heroína ou talvez até mais potente, que na primeira vez me fez cair num prazer além do que eu jamais imaginei e eu já implorava por mais e mais…
 Bastava um adeus para me colocar de quatro no chão rogando para que não me abandonasse novamente, como costumava fazer quando cansava de mim, quando cansava do meu rosto e dos meu defeitos, quando não ligava mais para todas as qualidades que eu sempre tive. Mas ele não podia ir, ele não podia me jogar num canto e eu não podia mais esperar.
 “A culpa é minha de gostar de uma idiota metida à crescida como você. Desculpa. Vou ficar aqui quietinho. Beijo e até nunca.’’ Não me deixa de novo, não. Eu amo tanto você… 
 Me vi tantas vezes perdida, naquele canto que eu não sabia estar. Maldita essa minha vida, que dá e toma. E ele, observador, não me queria mais. Não se importava mais. Mas uma hora, voltava. Ele sempre voltava, nunca falhou. Ele era perfeito. Em todas as vezes que ele me dominou, eu sabia que era perfeito. Todas as vezes que ele humilhou e disse que me amava, eu sabia que havia uma perfeição genuína impecável nele. Todas as vezes que me vi sozinha e perdida após um ‘’eu te amo’’, eu sabia que ele não iria falhar. Mas em todas as vezes que ele teve a oportunidade de me deixar, ele o fez. 
Eu fui aprendendo a ser sozinha. Fui aprendendo a lidar com a solidão como uma prova de que uma hora ou outra eu ouviria novamente a voz dele quatro horas da manhã perguntando se eu continuo solteira.
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