visceral

desculpa, mãe. mas, aqui dentro bate um coração que bombeia uns tantos litros de sangue por dia que me fazem ficar de pé e sustentar todos os orgãos que existem dentro de mim — sem falar as nóias e todas as coisas que carrega aqui.

eu luto contra mim mesma, e embora ache que às vezes eu não existo mais, eu continuo aqui n’ativa, lutando contra os meus próprios demônios e derrotando-os da forma mais bruta que você puder imaginar. a minha luta é diária, corpo, mente, alma e coração. eu sou muito coração, e você sabe disso.

desculpa por isso, mãe. se por alguns momentos possa parecer que eu tenho perdido uma batalha contra o amor, mas, eu sou muito visceral e talvez esteja dando tudo de mim pra não dar chance de me arrepender depois do que possa acontecer.

ei,

eu pareço outra, mãe. eu sei disso! eu nunca fui tão desarmada e entregue a algo, e até já tenha sido, mas o que estamos vivendo faz com que o passado fiquei lá, onde ele deve permanecer.

eu vou te falar outra coisa: às vezes eu amo tanto que dói. dói amar demais. e eu juro que queria que o amor fosse maravilhoso como nos contos de fada, mas na vida real ele só machuca e faz com que a gente perca as nossas preciosas noites de sono debaixo dos lençóis — sós ou acompanhados — .

eu gosto da frase de bukowski onde ele diz “encontre algo que você ame e deixe que isso te mate”. afinal, o amor é isso, dar uma morrida e renascida todo dia. a gente tira força de onde não sabe, né?!

mas mãe,

não te preocupa;

quem sabe eu volto.

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