Arqueólogas encontraram uma lista de 22 mandamentos bruxos talhada no mar

Porque pedra edificou a anti-fé. Porque pedra a água materna devora.

Quando a Lua íntima não tiver o Sol por foz e uma alma de fêmea selvagem se vir aflita na escuridão hostil, acuada de caçadores, desbotada em suas cores, devassada em seu ecossistema, há que renovar o auto-pacto vaginal. É ele quem salva. Eu, que de minha cabana passada sei oracularmente do tempo de levante, deixo às que me herdam:

  1. Amor não me domestica os olhos.

2. Solidão não me chantageia os dias.

3. Acusador não me incendeia o bastante.

4. Desaprovar não me negocia as verdades.

5. Rejeição não mutila o meu corpo.

6. Família não me desautoriza as asas.

7. Igreja é aquilo que ri e dança ao ar livre.

8. Insegurança não cancela o sonho.

9. Pau só me governa quando eu peço.

10. Palavras duras são lidas do avesso.

11. Orgasmo raso não sustenta o laço.

12. Minha estrela brilha mais que a violência.

13. Voltar atrás é sobre seguir em frente.

14. Paixão é selva que tenho e não me tem.

15. Homem é bicho que faço e não me faz.

16. O sagrado desescolariza meus átomos.

17. Perdoar move o músculo de reaver-se.

18. Permitir-se exorciza velhos cabrestos.

19. Mulheridade é tema do meu reinvento.

20. Amanhã é aquilo que não me mete medo.

21. Oração convoca o panteão de dentro.

22. E para tudo o que me desafiar o útero,

resolver o mundo íntima do espelho.

#bomdiamatriarcado

Maria Gabriela Saldanha é escritora feminista que vem se dedicando, nos últimos anos, ao tema da libertação emocional de mulheres. É também estudiosa de mitologias, simbologias e linguagens oraculares, escrevendo sobre Tarô, Sagrado Feminino e outros universos simbólicos por meio da página Matriarcaria — Laboratório de Arcanos e Arquétipos, no Facebook.
Instagram: @mariagabisaldanha ou @matriarcaria

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