olá, maria!!
Joy A Ti
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Olá, tudo bem? Não sei como te chamo, rs.
Muito obrigada por chegar e somar.

Vamos lá: as críticas que chamo de rasas, definitivamente, não são as que você me traz. São as que estigmatizam o Sagrado Feminino como nocivo, porque reforçaria estereótipos de gênero. Foram, inclusive, feitas por feministas radicais, que passaram a se interessar por rebater o assunto justamente a partir do momento em que eu comecei a organizar um curso sobre mitos femininos. Eu não sei de que grupo você faz parte, mas participo de um que é abarrotado de mulheres negras, que inclusive ministram atividades contendo sabedorias que vão do culto de Ifá até pompoarismo, e outro tanto de feministas interseccionais, com as quais convivo muito bem sendo uma feminista materialista. Talvez circulemos por espaços de diferente composição racial e socioeconômica, pois frequentemente atendo e faço parcerias com mulheres da Zona Norte, da Zona Oeste do Rio e da Baixada Fluminense, inclusive realizo trabalhos com vítimas de violência de diversas localidades.

Realmente não temos pessoas trans, tampouco fomos procurados por elas. Não sou fechada a essa participação, como obviamente as demais mulheres do grupo não seriam, porque Sagrado Feminino não é um braço do feminismo, mas somos todas feministas. Não sou contra a existência de grupos mistos e também não censuro o direito de que continuem existindo espaços exclusivos. Em todos os casos, sou apenas a favor de que permaneça intacta a possibilidade de conversar abertamente sobre questões relacionadas à materialidade do corpo feminino, pois do contrário eu entenderia como uma negação justamente desse legado histórico de mulheres, que se utilizavam de diversas sabedorias ancestrais para cuidados com a saúde.

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