Desculpe o auê, mas…

Tá. Eu me prometi que não ia me pronunciar nessa “polêmica” do Gregório, até porque já foi ontem e isso no timing de internet é como mês passado. Mas depois do Rafinha Bastos – uma pessoa com quem tenho diversas ressalvas – dar uma resposta, não resisti.

Você não precisa ser formado pela ESPM ou sequer ser muito inteligente para entender a jogada-de-marketing-merchan-do-filme que o Gregório fez. Só por isso, o texto já tem o seu valor. Ele conseguiu promover o próprio filme – e da ex-namorada – com uma declaração saudosista e respeitosa à ex em questão. Foi bacana, foi esperto, e com certeza ela aprovou esse material antes da publicação.

Acho o Gregório um cara bem chato. O casal mais chato ainda. Mas porra, eu também to passando por um término e tive uma empatia com aquelas palavras. Achei fofo, me confortou. Mal nenhum nisso.

O que ele escreve, em geral, é sempre muito compartilhado. Acho que em tempos sombrios, onde só se vê tragédia e desespero, palavras de amor são como um respiro no meio do caos. Talvez por isso a piração em torno do texto. Isso significa que o autor é um gênio romântico, definiu relações daqui pra frente, e que essa é a crônica mais linda sobre relacionamentos?

Não, cara. Menos. Bem menos.

Ai me vem o Rafinha Bastos na contramão do rolê, querendo se aproveitar do momento pra também se autopromover. Mas isso não deslegitima o conteúdo. Eu também me identifiquei com o texto dele, que em geral acho um cara bem babaca. Nossa forma de amar é parecida. No dia mais legal da minha última relação, a gente discutiu o dia todo. Porque amor também é isso, é visceral, não só musiquinha de YouTube em tons pastéis. Ele embarcou no texto do amigo, mas fez uma declaração bonita e real pra esposa dele. Só podia ter deixado de fora as alfinetadas no rapaz Duvivier – mas como eu disse ali em cima, o Rafinha Bastos é bem babaca.

O que eu to tentando discutir é como se torna cada vez mais difícil expressar qualquer sentimento de qualquer tipo na internet. O Gregório também fez merchan. A gente não tava lá pra ver se a relação deles era tão fofa assim. Mas o cara fez uma homenagem. Ele escreveu coisas maneiras e positivas sobre uma pessoa com ele ficou por anos. Tem carinho e respeito ali. Não ofendeu ninguém.

Não acho merecedor dessa crítica esmagadora e repercussão assustadora. Deixa o cara amar, a maneira dele, e expor isso a maneira dele. Não precisa seguir, não precisa compartilhar. Deixa o Rafinha mostrar o romantismo dele também, por mais autopromoção que tenha envolvido.

Vejo muita gente caindo em cima, mas fato é que não existe fórmula pro amor. MUITO menos pros relacionamentos. Esse é um dos assuntos mais complexos da humanidade, que não tem conclusão. A ciência até tenta, mas não há química, psicanálise e contas matemáticas que deem um resultado fechado pra esse sentimento e pra essas trocas.

O que nos resta, aos escritores, aos artistas, é expor perspectivas e sensações. O amor, pra mim, é cru. É mesmo sair puto batendo a porta depois de uma discussão e voltar só 1 hora depois. Mas também é queimar o risoto porque ficou conversando e o papo era por demais agradável.

Faz o seguinte, julguem menos e amem mais. Sem transtorno.