10 dicas para não ser um artista machista

Ilustração de Louis Collenettte
  1. Não precisa ficar explicando as coisas para nós mulheres. Seja no cinema, na galeria ou na rodinha de bar. Caso não soubermos algo pode ter certeza que perguntaremos.
  2. Deixem-nos falar. Não nos interrompa. Espere até o final da frase. Escute.
  3. Existe uma dinâmica social chamada construção social. Ela faz com que nos apropriamos de comportamentos e ideias que nos são impostos desde nosso nascimento. Portanto se nascemos e crescemos em uma sociedade patriarcal será normal para você, mesmo que inconscientemente, que a opinião de mulheres vale menos do que a de um homem. Por isso é sempre importante se questionar se você está sendo impulsionado a julgar o trabalho de uma mulher inferior ao de um homem por ele realmente ser inferior ou por você estar reproduzindo um machismo velado.
  4. É importante entender que existem menos mulheres atrás das câmeras, pintando, fotografando e esculpindo do que homens por termos sido sistematicamente excluídas das universidades, escolas e assim do mercado de trabalho. Durante séculos. Em todas as áreas, inclusive na área artística que é tida como a mais liberal e progressista de todas. Mas que na verdade não é. É só dar uma olhada nas estatísticas pra você ter uma noção de o quanto ainda temos que melhorar nesse quesito.
  5. Você não precisa transar com uma mulher para ajuda-la a promover seu trabalho. Basta você indica-la. Da mesma maneira que você faria com o trabalho de um amigo.
  6. Caso você citou uma mulher, apresentou-a à pessoas importantes ou trabalhou com uma artista e o trabalho dela “bombou” graças a “sua ajuda” você não tem direito a sexo, a mulher não te deve sexo e você não deveria esperar sexo.
  7. Você deve criar parcerias com mulheres por elas serem boas profissionais e só. Passe a ver mulheres como pessoas. Aprecie o trabalho delas. Se pergunte: Eu julgaria o trabalho dela dessa maneira se ela fosse um homem?
  8. Seu trabalho com atrizes deveria ser íntegro. Você deveria contratar atrizes pelo talento delas, por gostar do trabalho delas e não por querer “comê-las”. Não abuse do seu status. Não invente métodos de atuação inexistentes para assediar e se aproveitar da vulnerabilidade de jovens atrizes ou atrizes iniciantes, assim como de qualquer mulher dentro da produção. Exato, a camiseta “Me fode, eu sou da produção” é escrota e machista.
  9. Cite mais mulheres. Ouça mais mulheres. Leia mais mulheres. Indique mais mulheres. Compre obras de mulheres.
  10. Não use sua experiência para seduzir mulheres. Principalmente as mais novas. Cuide do seu emocional, vá a um psicólogo, se pergunte da onde vem toda essa insegurança, ou arrogância, ou desejo de manipular mulheres. Se pergunte por que você sente essa necessidade de demonstrar superioridade. Examine o seu ego e deixe ele ser examinado. Talvez até demolido e reformado.
  11. Não use os corpos de mulheres, principalmente enquanto nus, como objeto sexual para promover seu trabalho, seja você diretor de teatro ou cinema, fotógrafo, escritor, músico ou pintor. A arte nos dá milhões de possibilidades para explorar a nudez sem cair no óbvio, no patriarcal.