O barquinho: o princípio do náufrago

Esse texto se pretende a ser o primeiro de uma série sobre as desventuras amorosas de Nalu.

A carne dói, o peito arde, as mãos tremem internamente. Quanto tempo mais faz sentido? Quanto leva até chegar um lugar tranquilo e aconchegante? Nalu se perguntava incessantemente sem obter respostas.

No barquinho da vida ela sempre sentiu que está prestes a afundar. Metáfora ruim para madrugadas em que ela resolve fingir concentração em algum livro para enganar a própria cabeça: na verdade ela quer mesmo é chorar, é pensar naquilo que faz mal, que machuca. Mas ela sabe que se o fizer não conseguirá levantar no dia seguinte para mais um dia de trabalho.

Foi um daqueles domingos meio desanimadores. Chuva, pijama, café, a internet ruim, nada de programação, nada de visitas, animação: cadê? A combinação do frio e do fim de semana podia até parecer atrativa em outras épocas, “nada como uma boa netflix”, mas com esse embolo todo que ela vivia era melhor que não houvesse tempo livre. Relaxar o corpo era quase sinônimo de bagunçar a mente.

Restavam poucas opções… brincar com o bichano ou rolar o feed de notícias do facebook. Escolheu a segunda. Definitivamente as redes sociais não a faziam bem. Se deparou com o indesejado, aquela demonstração de afeto entre os dois… veja só, ela nem conseguia entender o porque do desconforto, ela e ele nunca foram algo bem definido, afinal. Era isso, o indefinido que parecia muito bem definido quando não se tratava dela que causava angústia.

-Nalu, deixa de ser boba! Larga ele de vez!

Ela repetia quase que em alto e bom som pra si mesma, na esperança de ter algum resultado. Em vão.

-Você não tem jeito Nalu, nasceu pra doer.

Aquele post já constava 14h e apareceu pra ela justo ali, na calada da noite. Ele foi embora sem desejar boa noite, provavelmente meio embriagado com alguns amigos enquanto ela esperava cada minuto pelas respostas fofas que vinham secas. O bichano desistiu de pedir carinho e foi dormir longe. Ela estava chorosa e pra ser sincera, só conseguia pensar em uma coisa que a acalmasse: o abraço dele.

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