Não comprei uma estante. Sim, meus livros estão empilhados do mesmo modo, com sua blusa em cima. Arrumei o quarto. Organizei o guarda roupa por cores (metodismo sempre né?). Lembra aquela academia que eu sempre falava? Comecei! Mudei o curso, desisti de medicina (thanks for that). Melhorei a gripe (minha dor era em outro lugar agora), e emagreci sem ir a academia. Domingo fiz greve de fome, esperando você vir cuidar de mim. Desmaiei e fui ao hospital (a médica não era você). Acabei meu livro, chorei daquele jeitinho, lembra? Senti sua falta, mas você não sabia disso. Quis te contar como foi o meu dia, contar aquelas pequenas coisinhas de sempre, sabe? Quis te ver dobrar as roupas enquanto eu falava sem parar. Queria te dar boa noite, e dizer “eu te amo”, mas não podia. Mudei a letra, agora ninguém entende. Me simulei um camaleão e fiquei sendo nômade na minha própria casa, a fim de não me sentir tão sozinha. Me ocupei demais, não queria pensar em você, não queria te chamar e implorar pra que você voltasse. Não, você tinha deixado bem claro o que queria. Aqueles remédios pra dormir? Só serviam para me distrair lendo suas bulas, a dipirona não melhorava minha dor de cabeça. Desmaiei de novo, mas agora foi por não ter dormido. Não tirei nosso porta retrato da parede (não consegui ainda). Aquela blusa minha, que cê usava lembra? Não tive coragem de lavar, tá com teu cheiro ainda. Mudei de perfume. Morri algumas milhares de vezes em menos de 24h. Chorei, até não possuir mais lágrimas. Não tinha pra quem correr e pedir um abraço, um abrigo. Fiz sozinha. Cresci, sabe? Você pode voltar agora, eu precisava crescer lembra? Tô com saudade, queria te falar isso, queria que você sentisse o mesmo, e por uma única vez, deixasse tudo isso de lado, mas pela primeira vez, você não sabia de nada disso, e eu não sabia se você queria saber

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