Por favor, não me esqueça.

Não se refira a mim como “aquela que”, sabe o quanto eu odeio esse negócio de referências, não. Por favor, não conte aos amigos o quanto você tá bem sem mim, não conte. Não pegue na mão de outra pessoa e não, não diga a ela que é pra sempre – assim como você fez comigo – por favor, não. Se puder também não reclame dos meus dramas e nem dos meus medos, não conte a ninguém. E por favor, não me entenda mal, é só que dói. Dói ser esquecida, apagada. Dói ser lembrada como um passado distante, como se só fosse “um dia”, por favor. Não, fica tranquila, você não precisa voltar, só não apaga. Não esquece o quanto cê ficava bonita com a minha blusa do Batman. Não esquece quando a gente estava doente e não conseguíamos sair de perto uma da outra. Não esquece dos beijos e do quanto você gostava de cuidar de mim. Não é mesquinharia, só não me deixa fazer isso sozinha, lembra das coisas boas, elas foram, afinal, boas – ah, e fique tranquila, eu conheço meu lado idiota – mas esquece ele e me guarda como lembrança boa, deixa doer, vai acontecer isso de qualquer jeito, mas não apaga. Não é fácil te devolver a contragosto, não é fácil contar aos amigos que acabou, parece um elefante, não é fácil ouvir aquela maldita música e não sentir aquela pontada no peito sabe? Dá saudade, e por incrível que pareça, me lembro de você como algo bom, e sim, tô lidando com a sua imaturidade. Então, seja recíproco, pelo menos com isso, não precisa falar bem de mim, lembre-se como a menina dramática, velha demais pra idade e chata, mas por favor, lembre, lembre da forma que for, de qualquer forma. Só por favor não me esqueça.

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