“Você precisa conhecer aquela amiga minha, ela está passando pela mesma situação que você, e gosta de ler e de filmes, posso até imaginar vocês juntas, indo naqueles lugares de arte que você gosta.”

“Tem uma amiga minha que tá louca pra te conhecer, que te achou linda, ela é super fofa, e vintage como você diz gostar, mal posso imaginar vocês duas se dando tão bem.”

“Sou seu amigo, quero teu bem sempre, mas você não acha que ficar em casa tá te fazendo mal? Vamos pra uma festa, conhecer pessoas legais?”

Chega.

São as frases que eu mais escuto ultimamente.

A partir do dia que fiquei solteira, é como se fosse uma necessidade do mundo me apresentar alguém, querer que eu saia para conhecer alguém.

“Ah, mas você é muito seletiva, você tem que ser mais aberta.”

Todas as conversas se parecem com uma lista, de pessoas, da qual eu devo selecionar uma que se caracterize com a personalidade que julgam ideal para mim, como se cada ser humano fosse feito para minha fútil escolha.

Sim, eu posso ir ao bar sozinha.

Sim, eu posso ir ao cinema sozinha.

E sim, eu também posso tomar vinho sozinha.

Não, não é solidão, talvez seja só vontade mesmo?

Me parece que o mundo não está preparado para pessoas solteiras, digo, os restaurantes, só tem mesa a dois, os cafés foram programados à dois, os filmes, os livros e os combos dos cinemas, então, nem se diga.

As pessoas tentam me empurrar todo o tipo de pessoa que esteja disposta a conhecer alguém, mas alguém já se perguntou, se eu estou disposta à isso? E a resposta é: não!

Descobri que o mundo dos solteiros, se caracteriza por festas e companhias curtas, e quer saber a real? Eu não quero embarcar nesse navio. Eu não quero sair do meu “status” agradável de pessoa que acabou de sair de um relacionamento, eu não quero conhecer outras pessoas. Eu só quero ficar comigo mesma agora. Ler aqueles livros que não li, assistir filmes novos, colocar minhas séries em dia, correr sozinha e por incrível que pareça, minha companhia está sendo exatamente o que eu preciso agora. Sim, eu me recuso a embarcar nessa aventura a dois.

Por enquanto, irei deixar o navio ali, no porto, esperando, o dia que eu estiver pronta para embarcar, ou só o dia que eu me cansar de mim mesma. Nesse momento, a minha solidão a noite tá sendo exatamente o que eu preciso agora. Não quero “curar” um amor com outro, não quero dar esperanças a alguém que nem eu mesma tenho. Eu quero desfrutar minha solidão, e aprender com ela. A vida está boa e estável assim, e parece que o mundo não aceita pessoas sozinhas. Porém, eu nunca fiz o que o mundo decidiu para mim – talvez isso seja característico do meu jeito – então mais uma vez eu irei contra o que o mundo quer para mim, e ficarei aqui, sozinha, na minha própria companhia. Porque nesse momento, eu sou a única pessoa que eu quero conhecer agora.

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