Até agora, tudo bem

Dois mil e dezessete, pra mim, é tudo sobre transição. Mas uma transição baita acelerada — afinal, cá estamos em abril. Durante esse tempo desde a queima de fogos do dia primeiro de janeiro, me deparei com muita mudança, reconstrução, inspiração e dúvida. Todos esses elementos fazem parte de uma reconstrução interna pessoal.

E depois desses (quase) 100 primeiros dias, questionei se tudo isso tem valido a pena. Sabe, fazer uma breve pausa na correria da semana e revisar tudo o que ocupa a agenda, refletindo se ainda faz sentido. E aqui, portanto, reuni algumas conclusões que, embora bastante pessoais (quem sabe vendo-as escritas, elas podem fazer mais ou menos sentido ainda), são um breve relato desses últimos meses:

Passei a celebrar conquistas — mesmo (e especialmente) as pequenas.

Esse ano já começou com a grande expectativa de terminar a graduação. Então era tudo sobre celebrar a conquista e o encerramento de mais uma etapa, focar nos próximos passos, etc. Mas à parte disso, eu sempre fui uma péssima pessoa no que cerne à comemoração de conquistas pessoais.

E desde o início do ano, na minha agenda não só são registrados os compromissos do dia a dia, mas também conquistas pequeninas que celebram a pessoa que me transformei ao chegar até aqui, passos que me levam mais perto dos meus objetivos, cumprimento de metas e quebra de limites, momentos que me deixam realizadas e que merecem ser relembrados posteriormente.

Isso não só tem me dado uma maior visão de desenvolvimento pessoal, como também tem me auxiliado muito a valorizar dias que antes seriam notados somente como não tão legais. Sem contar que minha motivação pessoal tem aumentado bastante para tentar novas e pequenas coisas (e ter paciência pra realizar elas), como a minha decisão de voltar a correr.

Comecei a valorizar a minha felicidade pessoal e profissional.

No início do ano, quem sabe por ter uma pressão íntima em me inserir num mercado de trabalho que não necessariamente faz sentido para mim, me joguei em diversos processos seletivos. Entrevista vai, entrevista vem, e vi que os next steps rascunhados num bloco de notas qualquer durante o ano passado estavam mais distantes que nunca. E, embora vez ou outra ainda questione o porquê tomei a decisão de não ir para esse caminho, sei que foi a opção certa.

Um contexto: nos últimos quatro anos, me envolvi em diversas oportunidades e experiências que valorizavam muito a satisfação e o propósito pessoal e profissional em sua realização. Basicamente, eram instituições que valorizavam o alinhamento entre a sua motivação pessoal e os projetos pelos quais você era responsável. E esse ponto, em específico, sempre me trouxe um boost na motivação, a alegria de estar cercada de pessoas dispostas e incríveis e alinhadas com os meus valores, e uma carga de desenvolvimento enorme, uma vez que você faz tudo, menos desacelerar.

E ao chegar em 2017, não via essa opção (de trabalhar com o que faz sentido pra mim) entre as que eu tinha. Portanto, comecei a criar elas. Claro que há prós e contras em todas as tomadas de decisão, e essa é mais um exemplo disso. Mas me dei conta que se tenho o privilégio de poder trabalhar e fazer o que eu gosto, eu tenho a obrigação não só de fazê-lo, como fazê-lo muito bem feito.

E por enquanto, eu não só passei a fazer parte de novos projetos que me trouxeram novos aprendizados significativos, como também não me sinto tão perdida em relação a meus objetivos de longo prazo. Tudo, pelo menos por enquanto, faz sentido.

Voltei a ler livros não-científicos.

Não sei se foi pela carga de leituras que eu tive no último ano de graduação e das 13 matérias que fizeram parte dele — sem esquecer da monografia e dos grupos de estudos — , os livros que ocupavam minha cabeceira eram sempre relacionados às Relações Internacionais.

No entanto, a mente pede um refúgio às vezes, né. Por isso que um dos itens da lista de realizações para 2017 foi justamente retomar a leitura por prazer, os livros de ficção, de romance, de poesia, de outras áreas do conhecimento. E é isso que eu estou fazendo e já contabilizando dez obras que me levaram para outros campos, mundos, universos. E que se somaram aos livros científicos que sim, continuam na cabeceira e na rotina também.

Inseri um ritual matinal em minha rotina.

Desde janeiro, li diversos artigos de CEOs e pessoas bem sucedidas que tem uma manhã extraordinária: despertador toca as cinco da manhã, meditam, usam a mesma cor de camiseta sempre para aperfeiçoar o processo de tomada de decisão logo no início do dia, cinco ou dez minutos diários de escrita num diário repleto de gratidão, leitura do jornal… Mas uma coisa que me chamou a atenção em todos esses artigos, era que seus autores sempre aconselhavam buscar o que funciona para você.

E foi a partir disso que se iniciou uma jornada de autodescoberta pra mim. Eu já tinha noção de que sim, sou uma pessoa que possui um alto nível de produtividade pela manhã, mas que acordar às cinco da manhã somente resultaria num mau humor insano. Então a partir do erro e acerto que eu cheguei a alguns hábitos que, agora, já são naturais:

  • Ter um despertador 'inteligente' que não me assusta na hora de acordar, mas que me desperta de uma maneira mais natural, me deixando mais disposta;
  • Reservar no mínimo 15 minutos para o café da manhã (cujo cardápio ainda está na fase de testes), durante o qual faço atividades virtuais de aprendizado de outros idiomas — descobri que o alemão fica muito mais fácil para ser exercitado durante todo o dia se utilizo quinze minutos para relembrar regras gramaticais antes esquecidas;
  • Após o café da manhã, tenho vinte minutos de leitura de notícias em canais que já estão digeridos na minha caixa de entrada de emails (como o The Skimm, A_Nexo, Bit of News e o Daily Digest pessoal do próprio Medium. Assim, eu já tenho uma seleção das notícias que me importam — os canais que utilizo foram previamente pesquisados — e que não tomam mais do que cinco minutos do meu dia.
  • Desde 2015 eu já tinha o hábito de organizar a agenda da semana no entardecer de domingo. Assim, durante a semana, basta eu abrir o calendário ou minha agenda para ter em dia os compromissos do dia. Assim, não perco tempo com isso.
  • Por fim, quando eu tenho aula de idiomas, eu faço uma imersão rápida naquele idioma. Por exemplo, se tenho aula de inglês, ouço uma TED talk em inglês, sem legendas, para ligar o interruptor mental respectivo àquele conhecimento.

Todos esses pontos, como eu falei, apareceram por meio da tentativa e do erro. Não necessariamente funcionam para você. Mas o processo de descoberta e a alegria de descobrir algo que funciona na sua rotina são dois processos incríveis.

Sem contar que isso também já tem refletido no período antes de dormir, quando reservo um tempo para ler um livro (não-científico) e escrevo sobre o meu dia. Não só minha rotina tem ficado mais uniforme, com horários mais equilibrados e parecidos para acordar e dormir (e todos os benefícios para o corpo que isso traz), como também mais produtivos.

Me cerquei de bons relacionamentos.

Se tem algo que tende a gastar muita energia é a manutenção dos nossos relacionamentos, especialmente os que são prejudiciais para nós. Assim, resolvi que 2017 seria sobre cultivar boas amizades, celebrar os encontros por acaso, ter um relacionamento leve e equilibrado comigo mesma.

Até agora, me reaproximei dos meus pais e da minha família — não só geograficamente, como também tento sempre ter, no mínimo, uma refeição compartilhada com eles. Melhorei o contato com amigos de infância e novos amigos — sou daquelas que sempre sou amiga, mas a maior parte do tempo não dou notícias, mas estou tentando mudar um pouquinho. E mantenho laços que fazem sentido e são saudáveis, mesmo que não tenha contato diário com algumas pessoas.

Por fim, e não menos importante, estou na melhor fase comigo mesma. Sempre tive dificuldade em olhar no espelho, celebrar conquistas pessoais, ter mais equilíbrio entre bem estar e obrigações, em me valorizar. Mas pouco a pouco, tenho feito uma caminhada comigo mesma que só tem melhorado. E até agora, tenho alcançado bons resultados.

É claro que ainda existem dias ruins. Mas eu já entendo que eles, assim como os bons dias, também só têm vinte e quatro horas.

Por último, mas não menos importante: voltei a escrever.

Junto dos livros de ficção que sumiram da minha rotina especialmente no ano passado, estavam os meus textos. Eu sempre tive a escrita como um hobby, uma válvula de escape. Assim que cabeça lotava, o papel trazia clareza e organização para as ideias.

Mas, novamente, isso se perdeu — não questione a razão disso. E desde que o Medium entrou na minha lista matinal de leituras, não só me apresentou pessoas e assuntos extraordinários, como também uma opção para deixar os pensamentos em ordem. E não só o Medium, mas também retomei o hábito de anotar ideias, pensamentos, sentimentos em cadernos que carrego comigo para onde quer que eu vou.

E sobre os benefícios da escrita, bom, são inúmeros. Não só o seu vocabulário é exercitado a todo momento, como a saúde mental e a inteligência emocional aumentam, o stress do dia é redirecionado para a folha de papel, e é um momento que você não estará olhando para o celular. É um hábito que eu recomendo fortemente.

Embora ainda tenha muita coisa para acontecer nas próximas semanas e meses, esses três meses de 2017 que já se passaram trouxeram algumas reflexões bastante válidas. Com certeza, as próximas estações trarão novas lições, novas perspectivas e dias não tão bons também. Mas que farão sentido e serão vividos com mais consciência e clareza.

É isso. O início de 2017, pra mim, foi repleto de insegurança, recomeço, incerteza, anseio. Mas, passo a passo (ou dia após dia), muita coisa tem mudado. Que os próximos nove meses sejam melhores ainda. Sei que para isso, só dependo de mim.

E o seu 2017, como tem sido?