Sobre coragem/ilustrar/começar
Ou o que gostaria de ter ouvido quando comecei a desenhar.

Sei que não sou uma exímia ilustradora. Passo longe. Me falta uma longa estrada de aprendizado e experiências. Existe muita gente boa por aí e a cada dia descubro mais.

Sei também que é na prática que erramos e acertamos.

E o melhor: aprendemos.

Mas já tive preconceitos. Já pensei “nossa a mão que essa pessoa desenha é igual ao pé, que horror”. Mas um dia caiu a ficha que ficar nessa de julgar o que o outro faz não acrescenta em nada pra mim e nem pra ele.

É um ato de coragem quem põe a “cara a tapa” diariamente para os críticos de plantão. E os corajosos seguem acreditando em si e no que fazem. Aí que é o pulo do gato. Acreditar no que você faz.

— Depois dá uma passada nesse post com 20 conselhos para artistas.

Nesse caminho entendemos que cada um tem seu tempo e seu ritmo.

Ao invés da gente pensar “nossa, isso está horrível” vale muito mais dizer “continue, você está indo bem e vai melhorar ainda mais. Posso sugerir algo?”. Sejamos mais empáticos e solidários com os que estão começando (e não só com eles!). Ninguém nasce com o dom de desenhar, ao contrário do que dizem.

Você pode dominar todas as técnicas do mundo, mas se não houver um mínimo de respeito com o colega de profissão, não acredito que vá muito longe.

Eu escutei a seguinte frase de um ilustrador super experiente: “eu desenho para crianças por pura solidariedade”. Seu objetivo ao ilustrar não era alcançar grandes prêmios, não era ganhar rios de dinheiro e nem aperfeiçoar sua técnica. Ele queria apenas colaborar pra um mundo em que as crianças possam ser crianças, e que por meio dos livros, elas exerçam o que fazem de melhor: imaginar. Ele disse que acredita que devemos deixá-las mais tempo nesse lugar. Um lugar que não seja racional e que diga “isso não parece uma mão”. Mas que fale “que massa! Que mãos diferentes eles têm”.

E talvez é isso que nos falta.

S O L I D A R I E D A D E
Percebi que é isso.

Não quero que isso morra dentro de mim. É no mundo de possibilidades, da pluralidade e sensibilidade que quero estar. E ao lado de pessoas que enxerguem isso também.

Vamos dar a mão ao coleguinha e parar de achar que para ilustrar só há um caminho?

Por um lugar que possamos ter liberdade para fazer pessoas azuis com bolas nas bochechas, se eu achar que cabe.

E a partir daí, juntos, com lápis e papel, possamos tornar esse lugar um tiquinho melhor pra se viver.

Era pra ser um texto sobre ilustrar rs… mas acho que virou a expressão de sentimento que vale pra todo mundo. Diante de tanta intolerância, de tanta crueldade, de caras fechadas e cabeças abaixadas acho que pequenas atitudes de solidariedade e empatia valem muito.

E lembre-se: Você pode não ter o apoio das pessoas que esperava, mas acredite em você e vai perceber que também tem muita gente ao seu lado.

Você tem o mundo de possibilidades em suas mãos.

Se joga.