Fachada

Cai, desamparada…
Desvanece, impávida, serena,
Quebrada,
Abraça o vazio, agarra o passado,
Reergue-se na frieza, insensível,
Porque nada mais a magoa.
Os castelos de cristal continuam lá
Frágeis, estilhaçados,
Nos sonhos violados,
Nada do que parece é
E é tão fácil sorrir… fingir…

O trabalho ocupa,
O sucesso oculta,
Punhais cravados
Chão e tecto arrancados.
Dos muros erguidos, escudos criados
Verdades cruas, planos rasgados
Pragmatismos revelados.

Do escuro emerge a força,
Egoísta,
Tão frágil e solitária.

Renasce do que muitos censuram,
Do que muitos invejam,
Do que todos desconhecem.

O tempo moldou-a, 
Mudou-a
Revelando o seu pior.
Foi-se a inocência,
Ficam os valores
E num antagonismo de sentimentos
Reconstrói-se do seu interior delicado e petrificado.
Não sabe se um dia voltará,
Ou se nunca foi…

Afinal, no sangue gélido corre o passado que a transborda da única coisa que a segura,
A autenticidade de um verdadeiro amor.

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