Duas quadras
A mesma distância, em outra direção. Não é sobre espacialização geográfica, e muito menos sobre escolhas de caminhos, é sobre fazer com que alguém se sinta seguro em percorrer distâncias por você, com você.
Quando se está navegando em lugares desconhecidos, qualquer sinal pode ser uma certeza que se chegará em algum lugar. Pode não ser onde você planejava estar, mas há uma certeza de que se pode transformar coordenadas, nome de rua, número de apartamento, paredes riscadas ou o velho problema da descarga serão um lugar de paz.
Ouvi você dizer, em um dos momentos mais íntimos que já tivemos, que pensava em mim. Cheguei naquele lugar, e por um dia inteiro acreditei que saberia de cor e salteado aquele endereço. Sofri amnésia, sofremos, em mais um de seus grandes hiatos. Perdi o caminho, e nem ao menos tenho como me localizar em algum vestígio para arriscar chegar lá de novo, os indícios foram apagados.
Queria subir duas quadras e te dizer o quanto aquilo mexeu comigo. Mas o caminho me levou duas quadras em frente e encontrei poesia em forma de acordes de guitarra. E foi ali, no meio de um ninho feito de braços, que encontrei a paz, provavelmente passageira, mas ali está, e continua aqui.
