Holofote e sobrevivência

Mariana Palandi
Nov 3 · 4 min read
Dirty White Trash, de Tim Noble e Sue Webste

O cérebro humano é fantástico. Através de inúmeros estudos, a ciência vem provando que a gente não sabe nada, inocente, sobre o funcionamento e potencialidades do nosso robozinho interior.

O fato incontestável é que, por não saber como utilizar essa ferramenta, muitas vezes (eu diria até que na maioria delas) é o cérebro que nos domina e não o contrário. Então, aos céticos de plantão que têm medo da inteligência artificial tomar conta do mundo, eu diria: o seu cérebro e o cérebro de muitas pessoas já dita a ordem das coisas, constrói ou destrói realidades e tem hábitos letais para a sobrevivência do próprio hardware que habita, no caso seu corpitcho.

Observar os nossos pensamentos, por exemplo, é uma fonte infinita de autoconhecimento. Para isso, sugiro que sente-se confortavelmente na postura que preferir. Se necessário, encoste na parede, não há problema nenhum e, para essa prática, vamos precisar que você não esteja incomodado com suas costas que doem ou com a perna que adormeceu.

Acompanhe sua respiração suavemente contando até 30. Depois mais 30. E mais 30. Para onde seu pensamento foi? Deu para acompanhar? Como foi a avalanche de ideias surgindo para você?

Se não prestou atenção, repita o processo. Não julgue seus pensamentos, apenas continue atento à respiração.

Esse exercício é uma das técnicas para atingir o chamado estado meditativo, que no Yoga é chitta vritti nirodha, ou a suspensão do turbilhão das ondas mentais. É teoricamente simples e deveria funcionar muito bem para acalmar a mente, o corpo e a alma. Mas, só é possível SE e somente SE, nós tivermos algum tipo de controle sobre o nosso cérebro e consciência do lugar para onde os nossos pensamentos vão e (de brinde) nos carregam com eles.

Ouvi a entrevista de uma bióloga chamada Marília no Mamilos Podcast e ela falava sobre como nosso cérebro aprende questões relacionadas à sobrevivência. Ela explicava que, seja lá o que tenha acontecido com a gente, quando ficamos remoendo o que deu errado, mandamos mensagem para o nosso cérebro de que não podemos esquecer o ocorrido porque nossa sobrevivência depende disso.

Assim, criamos um ciclo que se retroalimenta: ficamos remoendo o que aconteceu infinitamente, nosso cérebro capta o recado de que isso é importante e dá início a um processo eterno de sempre nos lembrar daquela experiência. Naturalmente, esse ciclo tem fim. Ele acaba quando outro começa, ou seja, quando acontece alguma coisa que leva nossa consciência para lá ou para cá, quer nos demos conta disso ou não.

Mas será que de fato a nossa sobrevivência depende de ficar revisitando as situações que nos causaram dor?

Será que ficar remoendo aquele pé na bunda realmente é necessário para que você sobreviva? Será que ficar sofrendo por ter perdido o compromisso importante do trabalho vai te ajudar a viver melhor? Se você perder noites de sono relembrando a briga da semana passada, você vai ser um ser humano mais bem preparado para passar pelos dias e garantir a sobrevivência da espécie?

Já te adianto que não!

Na verdade, ficar refém de pensamentos compulsivos e negativos pode, no máximo, levar você de encontro à uma gastrite, queda de cabelo e/ou tristeza profunda, depressão e outros males que afetam nossa sociedade.Não estou dizendo que é fácil monitorar nossos pensamentos e nem que precisamos virar cães de guarda do que passa por nossa mente. Mas, precisamos sim, ter consciência de como enxergamos os processos pelos quais passamos para entender sua influência sobre como nos sentimos e sobre qual a versão de nós mesmos tais processos trazem à tona. Somente assim é possível começar a discutir o livre arbítrio de escolher quem nós queremos ser.

Tudo que acontece em nossas vidas tem dois ou mais lados. Tudo pode ser visto, revisto, analisado, aprendido e arquivado. Se algo nos desagradou, vamos buscar entender o porquê, qual a lição a ser entendida, refletir sobre isso e simplesmente (com mil aspas, porque não é fácil, há que se treinar) colocar na caixinha “experiências que tive na vida” e partir para a próxima (ou próximo!).

No Yoga diz-se que se uma pedra atinge nossa cabeça, ela tem o tamanho e o peso exatos para não nos machucar nem mais nem menos do que o necessário e que não desvia um milissegundo sequer do seu caminho, que é para não correr o risco de nos errar.

Assim, se aconteceu o que aconteceu, é porque precisava acontecer e, por mais dolorido que tenha sido, cabe a nós a escolha de como interpretar aquele evento.

O ponto é que o que passamos só vai nos fazer mal, se colocarmos um feixe de luz no quanto aquilo nos fez sofrer e ficarmos revisitando aquela dor. Se, por outro lado, pudéssemos olhar para a lição a ser aprendida e para o quanto aquilo nos fez AMADURECER, tudo mudaria.

Se os nossos pensamentos criam a realidade em que vivemos, é questão de sobrevivência elevá-los, direcionando-os para as coisas positivas, ao invés de remoer as negativas. Do ponto de vista de sobrevivência da espécie, melhor é ter pensamentos bons que se retroalimentem.

Tente. Não há contraindicações.

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Pessoal, venho pensando muito sobre como podemos criar uma realidade melhor para nos inserirmos. No final do dia, são os nossos pensamentos que constroem a realidade em que vivemos e eles são o resultado daquilo que tem nossa atenção.

Se nosso cérebro aprende por repetição, estar lúcido das coisas boas que nos acontecem (ou das lições importantes que vêm das situações difíceis) é uma boa forma de criar realidade para nela repousar.

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Beijos e boa sorte!

Atenção para as coisas que você anda pensando demais. É questão de sobrevivência!

Namaste!

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