A CURA PELO PRAZER

Lá vem ela com essa história de prazer.

Eu devo estar sendo repetitiva. Mas eu digo uma coisa: vai piorar… ou melhor, vai melhorar. Quando eu decido investir em algo, é difícil me dissuadir. A genética alemã fala mais alto e a obstinação e disciplina correm nas veias.

Não é pra ser auto-ajuda, mesmo. O título do texto poderia ter sido melhor, mas não achei outra forma de dizer que existe cura pelo prazer. Mas, falar sobre isso é de fato mover montanhas. Mover o Everest e a cordilheira dos Andes ao mesmo tempo. Tem muito preconceito, muita resistência, muito medo de se falar em prazer. Pior ainda falar em prazer para mulheres no Brasil. São fatores que misturados são quase intransponíveis.

Você aprendeu desde pequeno que precisa batalhar muito pra crescer na vida. Batalhar no sentido de sofrer mesmo. Quando o corpo arrepia, sai logo um “Saravá”!

O velho testamento já cravou na pedra que Eva ferrou tudo comendo a maldita maçã e levou a humanidade pro brejo. Resultado: estamos fadados ao sofrimento eterno. Sofrer a miséria, a dor do parto, os desamores e as faltas.

Não bastasse a religião, agora tem a medicina querendo nos ditar como viver. Assistindo o psicanalista Contardo Calligaris no programa Roda Viva (vale a pena assistir!), o vi dizendo que a previsão de Foucault está se constatando: a religião está sendo substituída pela medicina.

Hoje a terceirização da felicidade já não é mais para Deus, mas para outros todo-poderosos: os médicos. Padrão de felicidade mesmo é ter plano de saúde que cobre o Einstein, né? Vejam onde fomos parar. Pensando melhor, os planos de saúde deveriam se chamar planos de doença, não? Porque quem tem saúde não precisa de plano, penso eu. 
 
É toda uma tecnologia de sofrimento de ponta instaurada, minha gente. Segundo Foucault, a medicalização da vida está diretamente ligada ao controle social. O discurso aparentemente amigável da busca de uma vida saudável que sustenta dietas-mil, polivitamínicos, academia, whey protein e jejum eterno para conquistar o corpo dos sonhos é apenas um subterfúgio convincente para te manter sob controle, sofrendo na medida certa e tendo bem pouco prazer genuíno.

Para Ivan Illich, a medicalização da vida faz mal à saúde.

"A saúde supõe a capacidade do sujeito assumir a responsabilidade pessoal diante da dor, da infelicidade e da morte. Portanto saúde é autonomia para se autorrefazer a partir de recursos do seu ambiente de vida. Nesse sentido, a saúde está essencialmente ligada à cultura. E esse poder gerador de saúde, inerente à cultura, está ameaçado pela mentalidade criada pela medicalização que expropria as pessoas dessa capacidade de encontrarem recursos simbólicos para lidar com tudo o que ameaça o seu equilíbrio existencial (…)."

Passaram décadas te convencendo de que só o remédio cura a dor. Mas, eu vou insistir num modelo de navegação disruptiva que tem uma tecnologia ainda mais revolucionária. O prazer. Já tem gente dizendo por aí que eu pirei, que tô virada na perversão. Que agora só penso em sexo. Olha, se fosse isso já estava bom. Mas, é bem melhor que isso. A sexualidade é só uma das formas de se conectar com o prazer, tem taaaantas outras. Dançar dá prazer. Cantar dá prazer. Fazer o que faz sentido, dá prazer. Silenciar e se permitir ser quem você é, dá prazer. Respirar, sim, RESPIRAR, pode dar muito prazer. Mas de novo, para sentir prazer a gente precisa passar a arrebentação de ondas bravas que quer nos convencer de que só a dor salva. 
 
Sentir prazer passa inevitavelmente pela reconexão. Com a sua verdade. Com o seu corpo. Com a sua intimidade. Quando estamos inteiros, deixamos de estar anestesiados e egoístas movidos apenas pela falta amarrada na ganância. Quando entendemos a nossa inteireza prazerosa, nos tornamos mais humanos, conscientes, capazes de empatizar com as dores do mundo. Quando sentimos prazer, acendemos uma fagulha de calor no mar de frieza do sofrimento. E assim levamos um pouco de calidez pro mundo. A cura pelo prazer passa pela cura das curas. Voltar a sentir prazer é curar a alma dos sofrimentos mais recônditos. Sofrimentos esses que originam os padecimentos do corpo, do câncer àquela dor de cabeça crônica que não te abandona. Acredite, existe um fluxo disponível e não medicalizado para você estar bem com você mesma.

E não. Eu não virei a louca, tarada, libertina. Rainha do sexo. Ainda não, quem sabe um dia. Eu sou apenas uma mulher que acredita que existe um jeito mais leve, fluido e cheio de deleite para encarar a vida. O caminho do prazer. Inclusive, estou pensando em criar Planos de Prazer para concorrer com os Planos de Saúde, que tal?! :D

Quer saber mais?
Me procura! Aqui ó: marianastock@gmail.com. No facebook também: Mariana Stock e no Prazerelas.

E tem também a Oficina de Empoderamento do Prazer para Mulheres que logo sai do forno. Falaremos sobre tudo isso e muito mais! Se inscreve no link abaixo, tá?

http://www.cinese.me/encontros/empoderamento-do-prazer-para-mulheres
 
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