“ um fogo que arde sem se ver…”

Essa chama que nos alimenta os desejos, os sonhos, as vontades.

Essa luz de que somos feitos, que nos mostra a verdade, o caminho com sentido, o que nos ilumina no escuro.

E que, quantas vezes nos é apagada com sopros mais ou menos declarados, com brisas fracas mas persistentes ou vendavais repentinos.

E deixamos de a ver, de a reconhecer, de ter persistência suficiente para a voltar acender.
As vezes ensinam-nos que a devemos temer, que é perigosa para nós próprios e para o Mundo, que nos pode queimar, que se pode descontrolar. Que é melhor não a acender.

Nascemos com esse fogo próprio que é só nosso. E, tantas vezes, pais, sociedade, escolas, pares, mentores e chefias ajudam a que se extinga para sempre.

O João quer acender a vela mais bonita que eu tenho. Quer ser ele a acender o fósforo.

Há tantas outras velas mas ele quer ver aquela acesa.

Eu resisto. Ele insiste.

Eu digo que ele é pequeno para manejar o fogo. Ele diz que é capaz.

Eu escuto e questiono o que me assusta.

Aceito o desafio ao meu medo mas não permito que derreta o que tem significado para mim.

Mas ele não se apaga. 
E eu retiro-me do “duelo de fogo” das razões e do poder.

E percebo que, como sempre, há uma solução de compromisso quando deixamos a luz entrar — a da empatia, da conexão, do igual valor.

“Acendemos durante “dez tempos”?

“vinte tempos e depois posso ser eu a soprar?”

Que esse fogo no seu peito nunca se extinga por medo, por vontade alheia, por desaprender de lutar por mantê-lo aceso e só quando para ele fizer sentido apaga-lo.

E foi bonito ver a vela-pinha iluminada. Como os olhos do João. **