Qual tipo de aprendizagem vale mais?
Tenho ouvido por aí, especialmente da galera altamente digital e que circula no meio das start ups, que o modelo de formação através da universidade está caindo por terra. Que muito em breve um diploma universitário não será mais necessário para conseguir seu lugar ao sol no mercado de trabalho e que o que vale mesmo hoje é pensar fora da caixa e buscar soluções para problemas atuais ou futuros — e as formas como se chegará a essas soluções, dizem, são múltiplas e se valem muito mais da criatividade e engenhosidade do que do conhecimento padronizado que se apreende num curso universitário.

Um exemplo disso é uma empresa do Vale do Silício, a Holberton, escola de engenharia de softwares sem professores, mensalidades ou vestibular. No método da Holberton, os alunos recebem o projeto e buscam respostas e maneiras de resolvê-lo. O argumento a favor desse modelo é que ele desenvolve as soft skills, habilidades comportamentais que estão sendo procuradas pelas empresas hoje: criatividade, adaptação, comunicação e solução de problemas.
Hum. Será mesmo que o futuro da formação profissional e do aprendizado está em modelos como o da Holberton? Eu sou suspeita para falar, pois sou uma velha representante da geração X, com um pezinho na Y (não tenho nenhuma restrição a contar que nasci em dezembro de 1981). Tenho mesmo essa ambiguidade de gostar da estabilidade, da continuidade, mas ao mesmo tempo estar sempre de olho no que vem por aí.
Mas afora essa questão geracional, posso dizer que minha experiência com a universidade foi maravilhosa — ao contrário da escola, especialmente do Ensino Médio, que eu achava maçante e desestimulante. Quando entrei na faculdade de Jornalismo, meu horizonte se abriu de uma forma que eu nunca havia experimentado. Estava num ambiente repleto de conhecimentos novos, mais importante, conhecimentos que tinham importância e significado para mim e que eu havia escolhido aprender. Jamais esquecerei a aula de Política da Comunicação em que meu professor, Guilherme Nery Atem, falou sobre Michel Foucault e sua obra. Meu Deus, minha cabeça deu um boom. Foi maravilhoso porque fez todo o sentido do mundo para mim, eu saí dali querendo compartilhar aquilo com quem eu encontrasse.
Da minha experiência, posso dizer que a universidade não me contou tudo o que eu viria a viver logo depois como repórter de um grade jornal, mas que o que eu aprendi lá foi fundamental para chegar a esse mundo voraz das redações mais bem preparada e embasada pelos princípios fundamentais do bom jornalismo. E acredito que isso passa muito pelo conhecimento encadeado que a universidade proporciona. Em outras profissões, essa necessidade de uma base profunda de conhecimento (e conhecimento estruturado, linear) é muito maior. Meu pai, que é médico psiquiatra e psicanalista, jamais parou de estudar desde que colocou o pé na universidade. Não é possível ser médico sem essa formação.
Pois bem, falei isso tudo para chegar à (minha) conclusão de que pensar fora da caixa é sempre “mandatório”, como dizem no mundo corporativo. Principalmente numa época de aceleração cada vez maior e tempo cada vez menor, em que os cenários mudam de uma hora para a outra e em que práticas que antes valiam por cinco anos agora são revistas em curto prazo. Mas que o conhecimento estruturado, a meu ver, jamais poderá ser desprezado, pois ele abre a mente e forma uma base segura para aplicar novos olhares ao que já é praticado. Isso tudo posto, vamos ver agora outros caminhos e possibilidades de aprender.
Pequenos momentos de aprendizagem e novas formas de adquirir conhecimento
Pegando novamente como gancho meu exemplo pessoal, conto que infelizmente não consegui fazer pós-graduação e demais formações por conta de fatores diversos que não cabe detalhar aqui. Para continuar aprendendo, procurei outras fontes de conhecimento, aproveitando a ampla oferta de conteúdo que a Internet proporciona — sempre observando se são fontes confiáveis e aptas a falar sobre aquele determinado assunto.
Um exemplo de fonte que eu utilizo bastante são as newsletters. Há cerca de quatro ou cinco anos, surgiu uma tendência chamada content marketing, ou marketing de conteúdo, que, grosso modo, consiste em oferecer ao público informação sobre determinado assunto (no caso, um assunto relacionado ao seu negócio), fazendo com que ele, ao entender um pouco sobre aquele tema, deseje o auxílio de um especialista — no caso, a sua empresa. Afora o interesse comercial desse tipo de conteúdo, leio muitas coisas interessantes nesses materiais. E passar informações corretas é uma premissa, visto que hoje tudo pode ser descoberto, e nenhuma empresa quer ser taxada de mentirosa, ou o feitiço viraria contra o feiticeiro. Já foi o tempo em que dava pra enganar o público/consumidor. Outra fonte super em alta atualmente são os podcasts, os conteúdos em áudio. Também tenho consumido. Vídeos nem precisamos falar, né? Dá pra aprender de um tudo hoje no YouTube.
Esses pequenos conteúdos que vamos apreendendo de acordo com a nossa disponibilidade já tem um nome, é o microlearning. Ele ocorre quando aproveitamos qualquer pequena brecha em nossas rotinas atribuladas para consumir um conteúdo que vai nos agregar conhecimento. Pode ser quando estamos nos deslocando (seja de carro ou de transporte público) ou correndo na esteira. Ou os minutos de espera antes de uma reunião. Ou o almoço solitário em que o celular acaba sendo nossa companhia. O microlearning é uma alternativa à falta de tempo que todos enfrentamos hoje, inclusive para fazer cursos.
Você pode me questionar: mas esse conteúdo é desestruturado, não tem uma sequenciação. É informação, não é conhecimento. Pois é, daí a importância de você selecionar o que irá consumir e, principalmente, de criar uma rotina de inclusão desses pequenos momentos no seu dia a dia. Ao selecionar um tema específico, você vai, aos poucos, formando um panorama daquele assunto, reunindo as diversas informações que apreendeu. É como um quebra-cabeças, em que as pequenas partes vão sendo unidas e formam uma figura.
O bacana desse método é que você mesmo determina como vai conduzi-lo. Se estou cansada na volta do trabalho, vou ouvir música ao invés de ouvir um podcast. Mas na ida, com a cabeça fresca, posso dedicar esse momento ao aprendizado. E, quando achar que já sei bastante sobre um assunto e que o que encontro disponível está repetitivo, posso escolher outro tema, conforme o meu interesse. Nessa jornada de aprendizado, o microlearning funciona também como uma porta de entrada para o aprofundamento posterior num determinado assunto. Ele auxilia a entender do que se trata aquele tema, dando subsídios para decidir se vale a pena se aprofundar.
Para finalizar, apresento uma empresa muito legal que trabalha com microlearning: é a startup 12Minutos, um aplicativo que oferece leituras rápidas e áudios curtos sobre diversos temas. O bacana do material oferecido pela 12Minutos, além da curadoria, é que tudo vem de fonte confiável — eles resumem livros de negócios e de desenvolvimento pessoal em áudios e textos de 12 minutos. A equipe da empresa conta com profissionais qualificados, e tudo é verificado para garantir que não houve plágio, que o resumo da obra é inédito.
That’s it, folks. Não importa de que forma, o importante é nunca parar de aprender.
